12 de jul. de 2014

7 conclusões menos precipitadas do que 5 gols em 5 minutos e 1 piada de honra

1) Os 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil são a prova de que a História, quando NÃO se repete, tem dimensões catarticamente cômicas. Obrigado a todos os envolvidos.
2) Brasil e Alemanha abriram precedente para um futebol mais emocionante. 7 x 1? Placar de basquete. Nem em futsal isso acontece. 
3) Se na vida real da várzea um time leva 5 gols em 5 minutos, acaba o jogo. Em socos e voadeiras, que xeje. Faz parte. Honra é um troço primitivo. Ninguém mantém a honra com apertos de mão. Da mesma forma, a vingança. 
4) A probabilidade de o Brasil se vingar da Alemanha é tão nanica que o discurso geral será aquele de "olhar para si mesmo, perdemos para os nossos próprios erros". Não. A derrota foi mesmo para os alemães. E humilhante.
5) Fair play é fazer apenas 7 gols (e deixar o adversário fazer 1) quando se pode fazer 10, 15, 20, 30, 999...
6) Os brasileiros que jogam na Europa não aprendem com os europeus, mas desaprendem a jogar como os brasileiros. 
7) Os torcedores da Seleção são torcedores ocasionais como a própria Seleção. Se alguém aí ficou traumatizado com a derrota humilhante, bem feito. Ninguém que acompanha futebol tá chorando. Aliás, a maioria tá rindo muito. 

X

1) Essa é uma grande oportunidade de reestruturar o futebol no Brasil*.


*Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!

9 de jul. de 2014

Que cagada!

Sim, foi uma grande cagada. Uma vergonha para o futebol. Não se pode errar assim. Jogador que ganha milhões, que tem todas as tecnologias a seu dispor, não pode falhar em decisão. Qualquer varzeano sabe disso. Os deuses não perdoam. 
Mas ainda há tempo para aprender. A gente aprende mais com as cagadas do que com as comidas. A lição é treinar mais para não repetir o terrível erro: o gol praticamente feito perdido por Özil no finzinho da partida, que redundou no contrataque mortal brasileiro e no belíssimo gol de Oscar.

3 de jul. de 2014

Hexálogo do debate nacionalista em pleno mundial

1) Torcer por outra seleção que não seja a do Brasil não quer dizer que o cara seja contra a tal nação brasileira. Muitas vezes a pessoa prefere um time que joga de azul-calcinha, de laranja ou, simplesmente, que apresente bom futebol. 
2) O futebol pode ser visto como política, como moda, como passatempo, como patologia e, inclusive, como esporte.
3) A alienação causada pelo futebol não perde pra nenhuma outra alienação (política, moralista, por exemplo). 
4) A alienação é um sintoma humano. O problema é a falta de senso de humor (ou pior: falta de senso de humorismo). 
5) A nação brasileira é isso que está aí, aqui, lá e em todas as partes do mundo, com suas sombras e luzes, pra além e aquém do bem e do mal.
6) Bem e mal, claro e obscuro, esquerda e direita são conceitos ótimos. Desde que a gente possa discordar disso sem ter que apresentar outros conceitos canalhas que os substituam.

30 de jun. de 2014

Quem conhece como joga o Messi?

Por que uma música pro Messi e não pro Neymar ou pro Cristiano Ronaldo? 
Porque uma música para o Messi é uma música para o futebol. Uma música para os outros dois deveria falar em cortes e pinturas de cabelo, muito mais do que cortes de zagueiros e pinturas de gol.
Então taí, um samba para um grande jogador, o Pequeno Messi.




26 de jun. de 2014

Questão de camisa (texto de Michele Mazzolin*)

Mata-mata é uma questão de camisa, disse o primo da namorada da minha tia. Então eu fiquei pensando: a copa é uma festa, é preciso uma roupa adequada. Mesmo que você fique pelado no fim, você foi com alguma roupa específica praquilo que você pretendia. No caso, fazer mais gols que os outros caras, ou seja, #teliganametafora

O BRASIL, por exemplo, joga de amarelo e azul. Poxa! Isso é muita descaradice, você ir de amarelo numa festa. Só pode tá zuanu! Mesmo que seja carnaval, se você for de amarelo quer dizer que 1) você tá pagando mico de Bloco do Banco do Brasil ou 2) você tá só pela zueeeera! Então isso basicamente assusta os adversários, essa zuera toda.
Daí tem o CHILE, que é alto e magro e basicamente combina vermelho e azul com as piores tonalidades de vermelho e azul dos anos 80. Faça-me-o favor! Não se afirma, sabe? O Brasil pelo menos é descarado – sou feio e daí? Não gostou? Já comi! Mas o Chile, não sei. Muito terremoto pra pouca terra.
A HOLANDA. Meu Deus, a Holanda. Sabia que lá pode abortar fumando um baseado de mão dada com a tua mina? E andam de laranja, pra lá e pra cá, fazendo de conta que não se importam com nada. Laranja. Que é pra não manchar quando derrama cerveja. Isso, certamente, é uma vantagem.
O MÉXICO, de verde e vermelho, até que passa do segurança na porta, mas juro que não se cria no salão. Se fosse saloon, daqueles com tiroleio e tiroteio ihi!, daí podia ter alguma sorte. Verde e vermeio, como diz a música, é festa de rodeio. Futebol exige ou total zuera ou plena discrição.
A COLÔMBIA, naquele estilo panfleto de supermercado (amarelo, azul e vermelho), pode significar uma boa oferta para o URUGUAI, que vêm num estilo clássico azul-calcinha e preto, bebendo uísque e dando mordidinhas. O que pode agregar respeito pros dois não serem expulsos logo da festa é a teimosia, que eu digo, que é aquele carinha que passa a noite toda tomando vários FORA!, mas que só sai da festa #podebebado, se vomitando todo ou arrumando briga.
COSTA RICA. Olha, da Costa Rica eu só conheço o Rick Martin, que é um excelente personagem de piada. Mas aquele uniformezinho de Série B não dá. Ok, pode dar, por um tempo, até que passe o choque geral da galere diante do carinha que ousou ir de camisa do Treze de Arapiroca na mais badaladabalada do momento. Mas aposto que ele logo fica bêbado com as atenções e vomita falando mal do pai no balcão.
A GRÉCIA. A meu ver, que é o que importa aqui (#negurias), os gregos sempre arrasaram em termos de modelito prático. O que que eram aqueles lençóis que eles usavam na época do Império Romano! Tudo de bom. Nessa copa não é diferente: as vestes gregas, além de serem as mais discretas (azul com branco, sem frescura), são as mais folgadas e confortáveis (tem até gola pra quando chove).
A FRANÇA tem um sério problema de identidade. A gente logo vê, quando o carinha entra no lugar, que ele pensou muito, antes de botar aquela roupa. Azul mais ou menos, um azul meio que vira preto, ou azul marinho, sei lá, é indefinível, mesmo pra uma blogueira de moda experimentada que nem nós (#:)). Mas ele se diverte, até sozinho, porque vai ver isso de não se decidir por um azul qualquer é justamente a pilha dele.
NIGÉRIA. Verde com verde, nada a ver. Fica aquela impressão de que o cara só entrou no lugar pra comprar uma cerveja e já vai voltar pra festa na rua. Tipo fora de contexto. Fica aquele climão, saca? Os playboyzinho esperando o periférico liberar o ambiente. Daí, se dá briga, que seria um jeito do cara de verde com verde se defender, ele vai ser minoria e #apoliciavemrapido.
ALEMANHA. Não gosto. Pode dizer o que disser, eu não gosto. Branco com preto? Tem até cocô no meio. Muito #garçom pro meu gosto. A gente sempre se confunde com aquela camisa branca e acaba pedindo outra cerveja pra ele. E o carinha usa isso pra dar em cima, é horrível. Aliás, gentem, parem de darem em cima, por favor, hein. Deixa a gente dar em cima um pouquinho, só pra variar. Mas eu dizia: já disse o que eu queria.
A ARGÉLIA. Outro que parece que entrou na festa com a camisa da escola de samba do bairro. Faça-me-o favor! Branco meio verde com vermelho aqui e ali? O cara pode até ser legal, pode até tá tentando, mas não sei se eu aguento a festa mudar tanto. Tipo: tem uma tradição. A gente pode querer mudar o sistema, mas tem que saber dançar muito impressionantemente pra que esqueçam a roupa que você tá usando.
A BÉLGICA. Outro que parece que saiu de uma festa do interior direto pra balada mais noturna da capital. Pode até beber mais que todo mundo, mas só pega baranga. Me desculpem gurias eu usar esses termos, mas é que eu sou gostosa e preciso aceitar essa condição. Esse aí de camisa vermelha e preta com cara de #querumacerveja, pode até casar com ele. É o que ele pretende, usando vermelho nanaite: achar alguém pra procriar.
ESTADOS UNIDOS. Tem golinha também, fazendo o estilo #tiozinho fui jogar golf e já volto. Bêbado, mas volto. Aí ele fica olhando as novinha no bar e depois compara elas com a esposa, e a esposa compara o marido com Jesus Cristo. É essa sem vergonhice adolescente que impõe a presença do americano na festa. #drymartinicomsprite
SUÍÇA. É um tipo de Bélgica, né, só que o carinha veio a negócios e só tinha aquela camiseta vermelha de dormir pra sair na noite, porque ele tem a mínima decência de não beber caipirinha de morango vestindo um terno. Pelo menos o morango, se manchar, manchou o vermelho de vermelho. Quer dizer, tudo é lucro. Ele fica amigo do barman e vai embora cedo, afinal tem uma reunião sóbria no dia seguinte.
A ARGENTINA. Pijamão, convenhamos. O cara só pode tá pela zuera. Só falta pedir mamadeira pro garçom. Azulzinho listrado com branco? Tá, entendi a piada. Mas o cara não desiste. Até que você quebre a garrafa de Jäger inteira na cara dele, ele não desiste. E pior: mesmo depois de expulso espancado da festa, ele vai continuar enchendo o saco, #stalkeando, inventando que te comeu.

Depois de toda essa análise, fica fácil perceber as tendências de quem vai ser campeão do mundo.       

*Michele Mazzolin é autora do blog

12 de jun. de 2014

Complexo de cachorrinho-de-apartamento

O Brasil (como instância psíquica) tá pra resolver (daquele jeito autoajuda) o tal complexo de vira-latas. Ganhar o Mundial em casa, fazer a Revolução do Futebol. Botar mais sombras sobre as sombras que o tormentam. Dizer pra todo mundo, em todo o mundo, que a gente tem algo que fazemo melhor que os outro.
Mas tem que dizer assim: fazemo melhor que os outro. Que é pra aproveitar o hexa (prefixo grego que só serve pra nós) pra declarar a Independência Universal da Língua Brasileira. Abaixo os s redundante!
Só não fala pro Brasil que ele tem a oportunidade de realizar esse fetiche. Já pensou se existe mesmo um gigante pra acordar?
Um gigante, em qualquer contexto, vai ser uma minoria. Tu que é branco, cabelo escuro, hetero, sócio, helicóptero, amantes, talento e paz de espírito entende o que eu tô escrevendo. Um gigante é um – tem no máximo um irmão, meio lerdinho[1]. Nesse tempo que a gente vive, que é um espaço muito situado na fluidez, o lance (e não o negócio, como prefeririam os lentos gigantes) é o tempo, com seus mata-matas sensacionais.
Esse não vai ser o torneio da retranca. Tá todo mundo desesperado. E se não tiver, vai perder por não tar.
Aí vai me dizer que o nosso lance não é a agilidade?, o mover-se no tempo, pra além do espaço? A gente, se é, é pouco. Só nós falemo essa linguinha, que vareia tanto entre torcedores do Ceará e do Caxias. E é isso aí. Que o mundo se apresente, se quiser ouvir o que a gente tem pra dizer.
Não que a gente tem alguma coisa pra dizer. Mas a gente sabe improvisar. De diblinha em diblinha a gente enche de gol os papo.
Então é o seguinte:
Se o Brasil (sempre como entidade espiritual) ganha essa Copa, o tal complexo de vira-latas vira complexo de cachorrinho-de-apartamento. Aquele que, por ser o único da própria espécie num espaço estreito, desenvolve linguagem própria e não toma conhecimento de adversário nenhum. Quando ele recebe a visita de outro cachorro, ele logo mostra que é o macho-alfa (ou a fêmea-ômega, sei lá).
E se o Brasil perde essa Copa, o tal complexo de vira-latas continua virando complexo de cachorrinho-de-apartamento. Aquele que, único, desesperado, ao receber a visita de outro cachorro, não consegue se mostrar macho, nem alfa, nem fêmea, nem ômega, e, quando vê, o intruso já tá mijando sobre o mijo do dono da casa.





[1] Assistam Game of Thrones.

1 de abr. de 2014

O Brasil vai ganhar a Copa

Aliás, o Brasil já ganhou.
A Seleção vai entrar em campo apenas para cumprir formalidades.
O time do Felipão vai vencer todos os jogos da primeira fase, sem levar nenhum gol (ok, talvez leve um, só pra dar uma raivinha nos jogadores, que depois vão lá e fazem 4 no adversário). Na fase de mata-mata, a Seleção não vai precisar de nenhuma prorrogação. E, na final, 4 x 0 em cima da Inglaterra.
Neymar artilheiro com 12 gols.
Messi vomita e a Argentina não passa das oitavas de final.
Vai ser fácil demais. Só o Brasil quer ganhar essa Copa. Só o Brasil precisa ganhar.
A única seleção capaz de fazer frente à brasileira nem chegou a se classificar para o mundial.
Oh, Paraguai, por que não te esforçaste mais? Não podemos esperar nada de Colômbia e Equador (Argentina e Uruguai conseguem enganar um pouco).
Os times africanos, naturalmente, vão decepcionar. Poder-se-ia pensar, como os mesoclíticos portugueses (eliminados gloriosamente nas semifinais), que o clima (weather) “parecido” do Brasil e da Costa do Marfim animaria os africanos, mas será o contrário – os ganeses e argelinos e marfineses sabem que, no calor, o melhor é não fazer esforço. Então vai estar todo mundo de férias, não vendo a hora de aqueles 90 minutos passarem pra poder ir pro hotel tomar uma capirinha ou uma água de coco, pra mim tanto faz.
Só os jogadores brasileiros vão estar concentrados. Vão entrar em todos os jogos de mãozinha dada, com o sinal da cruz sincronizado, olhos fixos no gramado (o de Neymar, porém, cortejando o horizonte, isto é, nossos corações, através da televisão).
E que coisa linda vai ser a plateia cantando o hino. Cada partida envolvendo a Seleção vai atrasar cinco minutos, porque serão cantadas as duas partes, com suas doze estrofes e cinquenta versos. A cappella (a televisão vai inclusive entrevistar um maestro para que ele explique ao povo o significado de a cappella). Vai ser de arrepiar black block. Só não vai dar pra ver os manifestantes chorando de emoção porque eles vão estar de máscara.
Será a celebração do antirracismo (sem hífen e com dois erres, por reforço e lei federal). Serão distribuídas bananas de chocolate para a plateia comer na frente das câmeras. Loiras lindas divulgarão rechetegues. Mulatas exuberantes sambarão abundantes. O Brasil mostrará mais uma vez ao mundo que futebol é festa, e festa é com a gente.

Aqueles que reclamam é porque não querem participar (gente que, no dia das mães, não dá sequer uma flor pra aquela que o pariu). Mas a maioria, o povo mesmo, o BRASIL – esse vai ganhar a Copa. Aliás, já ganhou. Pode botar aí no dicionário: hexacampeão.