Aliás, o Brasil já
ganhou.
A Seleção vai entrar em
campo apenas para cumprir formalidades.
O time do Felipão vai
vencer todos os jogos da primeira fase, sem levar nenhum gol (ok, talvez leve
um, só pra dar uma raivinha nos jogadores, que depois vão lá e fazem 4 no
adversário). Na fase de mata-mata, a Seleção não vai precisar de nenhuma
prorrogação. E, na final, 4 x 0 em cima da Inglaterra.
Neymar artilheiro com
12 gols.
Messi vomita e a
Argentina não passa das oitavas de final.
Vai ser fácil demais.
Só o Brasil quer ganhar essa Copa. Só o Brasil precisa ganhar.
A única seleção capaz
de fazer frente à brasileira nem chegou a se classificar para o mundial.
Oh, Paraguai, por que
não te esforçaste mais? Não podemos esperar nada de Colômbia e Equador
(Argentina e Uruguai conseguem enganar um pouco).
Os times africanos,
naturalmente, vão decepcionar. Poder-se-ia pensar, como os mesoclíticos
portugueses (eliminados gloriosamente nas semifinais), que o clima (weather) “parecido” do Brasil e da Costa
do Marfim animaria os africanos, mas será o contrário – os ganeses e argelinos
e marfineses sabem que, no calor, o melhor é não fazer esforço. Então vai estar
todo mundo de férias, não vendo a hora de aqueles 90 minutos passarem pra poder
ir pro hotel tomar uma capirinha ou uma água de coco, pra mim tanto faz.
Só os jogadores
brasileiros vão estar concentrados. Vão entrar em todos os jogos de mãozinha
dada, com o sinal da cruz sincronizado, olhos fixos no gramado (o de Neymar,
porém, cortejando o horizonte, isto é, nossos corações, através da televisão).
E que coisa linda vai
ser a plateia cantando o hino. Cada partida envolvendo a Seleção vai atrasar
cinco minutos, porque serão cantadas as duas partes, com suas doze estrofes e
cinquenta versos. A cappella (a televisão vai inclusive entrevistar um
maestro para que ele explique ao povo o significado de a cappella). Vai
ser de arrepiar black block. Só não
vai dar pra ver os manifestantes chorando de emoção porque eles vão estar de
máscara.
Será a celebração do
antirracismo (sem hífen e com dois erres, por reforço e lei federal). Serão
distribuídas bananas de chocolate para a plateia comer na frente das câmeras.
Loiras lindas divulgarão rechetegues. Mulatas exuberantes sambarão abundantes.
O Brasil mostrará mais uma vez ao mundo que futebol é festa, e festa é com a
gente.
Aqueles que reclamam é
porque não querem participar (gente que, no dia das mães, não dá sequer uma
flor pra aquela que o pariu). Mas a maioria, o povo mesmo, o BRASIL – esse vai
ganhar a Copa. Aliás, já ganhou. Pode botar aí no dicionário: hexacampeão.