CGB aposta em nova modalidade de
campeonato que inclui jogo por dinheiro
Público entende que não é uma
falha na organização, mas que a CGB vai além dos campeonatos tradicionais e propõe
nova estrutura para os torneios, com propostas como jogos por dinheiro.
Nos últimos encontros organizados
pela CGB foi possível compreender o vanguardismo dos dirigentes da Federação.
Nada foge ao controle dos organizadores, eles buscam uma nova forma de disputar
as taças. Isso foi o que afirmou o treinador do Barcelona depois de haver
ingerido a quantidade de vinho que cabe em uma garrafa e meia das duas que a
Argentina e o América de Cali levaram ao evento. O campeonato não aconteceu nos
trilhos convencionais, mas perto do final adquiriu tais ares de competição
profissional e mística que o público passou a entender o novo modelo. Como
prometido durante os jogos, deste assunto tratarão com mais detalhe os técnicos
do Barcelona ou da Seleção alemã – de quem seria interessante conhecer a opinião
do novo formato.
Depois da confraternização entre
os times citados, durante a qual os participantes puderam degustar petiscos e o
prato principal feito pela comissão barcelonesa, diversos times se apresentaram
gradativamente ao torneio, mesmo sem estarem inscritos. Devido ao consumo da
outra garrafa e meia que sobrou das duas que levaram a Argentina e o América de
Cali depois que o Barcelona apreciou a sua garrafa e meia, os repórteres
tiveram dificuldades para registrar todas as informações necessárias para a
cobertura, tais como as equipes participantes, os encontros celebrados e os
resultados obtidos. Ao ler, a seguir, quase somente a narração dos encontros em
que participaram, não se julgue egocentrismo dos repórteres argentinos onde
houve desatenção.
O primeiro jogo da noite foi,
como no último campeonato registrado, um belíssimo Alemanha 2 x 3 Argentina. Como
habitualmente, o Siebzehn e o Elf pipoquearam durante todo o jogo e não
conseguiram nem ultrapassar o meio do campo. Escoltando os dois gringuinhos, o
Goetze e o Achtzehn ficaram no “Ales blau” cumprimentando a torcida e estiveram
longe de provar o sabor do chucrute. Em algum momento a Alemanha fez dois gols.
Já do lado argentino, houve
festa, garra e futebol de qualidade. O time atuou com desenvoltura, com uma
marcação perfeita que não deu a mínima chance de a Alemanha tentar sorte. O
primeiro gol seria do ídolo máximo, do qual não é mais necessário citar o nome.
Depois de um passe preciso do seu colega Simeone-goleador, o homem-gol-de-onde-quer-que-esteja
encheu o pé e cravou um míssil no ângulo direito do coitadinho do Oliver Kahn
ou do Harald Shumacher, tanto faz, que só pode olhar para a bola e dizer “Kaiser!”
que deve ser um xingamento, mas tanto faz. O segundo gol foi fruto de um
lançamento milimétrico treinado pelo Zanetti nos últimos meses, graças ao qual
a bola sobrou limpa para o Maradona. Mesmo assim, o Diegol preferiu driblar
três botões para só então dar uma cavadinha airosa por cima do Jens Lehman ou
do Robert Enke, dá na mesma. O último gol deve ter sido do craque supremo. Extraordinário.
Ele deve ter escorado a bola no meio do campo, ameaçado dar o passe para algum
companheiro, com o que deve ter confundido todos os gringos, e depois de penetrar
na zaga dos branquelas deve ter dado um elegante chute de três dedos para
deixar o Sepp Maier ou o Manuel Neuer, pouco importa, babando em cima da cuca.
Assim, a Seleção da Argentina ficou com mais um placar favorável perante a
seleção da alemanha.
O segundo encontro que os
repórteres lembram foi o da Seleção argentina contra a Seleção da Intercap. O
Felipão, técnico da Intercap, suou a camisa mais do que esperava para manter um
0x0 que para a Argentina pareceu mais um treino. Tocados pela simpatia e
humildade do técnico, o homem-chamado-gol e o seus colegas decidiram não impor
um placar aviltante para manter o bom clima do encontro.
Outro jogo difícil de esquecer,
ao menos para o técnico do time espanhol, foi o Barcelona 1 x 4 Seleção da
República Teco. O treinador chegou a entrar em contato com a edição do jornal
para que não fosse publicado este resultado, dada a sua infeliz perdurabilidade
nas páginas do blog, no entanto, como agentes da verdade, os editores optaram
por não omitir nem deturpar nenhum fato. O carrossel, o jogo bonito, o jogo
aguerrido, o jogo elegante, o jogo europeu da República Teco passou por cima de
um tímido e frágil Barcelona que jogava ao ritmo da fermentação do vinho
argentino. Quatro gols foram feitos no lado espanhol, mas o que importa é que
poderiam ter sido oito. Já o gol do time da casa deve ter sido feito pelo
Messi, que, sabe-se, é um jogador argentino.
Muito nos apraz poder lembrar, entre
tudo o que foi esquecido, do último jogo da noite, que emocionou os corações do
público. O primeiro encontro realizado por dinheiro dentro das regras e domínios
da CGB. Para eventualidade tão especial, decidiu-se formar duplas. Numa
simpático e fértil acordo, o Barcelona e a Seleção argentina, em vez de
enfrentar-se, nessa noite jogaram juntos, codo
a codo. O time rival, fusão da República Teco e amigos, num ato desmedido
desafiou os treinadores da casa a jogar pelo montante de R$0,50. Por pura
gentileza, os times da casa aceitaram o desafio. Se para Barcelona-Argentina o
jogo foi duro, não foi pelo trabalho do rival, mas por mérito das três garrafas
de vinho que cada treinador tomara das duas que a Argentina e o América de Cali
levaram. Um jogo com vários erros e bolas que sobravam na frente do gol para o
time visitante pode ser observado pelas mais de 25 seleções que a essas horas
da noite ocupavam o Intercapizão. Tudo indicava um empate das equipes e uma
vitória do vinho. Tudo indicava esse resultado, mas só para aqueles desavisados
que não perceberam o homem-que-não-sabe-errar entre os jogadores, logo atrás da
linha do meio campo. Perto do final do jogo sobrou a primeira bola para ele
bater. O ângulo em que deveria projetar-se a bola era de menos de 70 graus. Ele
teria que enviá-la para trás. Até mesmo os repórteres duvidaram do perigo do
chute. O técnico do Barcelona e os amigos da República Teco se afastaram da
mesa para tratar de outro assunto com os observadores, desconsiderando quem bateria. Então o céu se
abriu e das nuvens surgiu um feixe de luz. O Valdano apontou e disse “Faça-se o
gol”. A bola que parecia impossível penetrou nas trevas da goleira do
adversário. Como um milagre, somente os treinadores da Argentina e da República
Teco viram o gol; somente o viram os que acreditavam ou temiam. Os outros
souberam depois. Minutos mais tarde o jogo acabava e a dupla imbatível dos da
casa ficava com o dinheiro e o título de campeão invencível para todo o
sempre.