18 de dez. de 2011
Querido Papai Noel
Eu não sei como funciona com os outros - e acho que me preocupo quase nada também -, mas eu preciso de grana, afu! Nesse ano, fui um ótimo menino; não maltratei nenhum animalzinho, por exemplo. O que eu preciso é de dinheiro, mesmo. Por trabalho eu não sou assim tão louco não... Nos últimos anos, tenho sido muito infeliz. A patrulha do politicamente correto, que tá sempre no calcanhar da gente, anda fodendo com a possibilidade de ser feliz, pois fecharam os bingos, as rinhas de brigas de galo do Belém velho desapareceram, as máquinas caça-níquel caíram na clandestinidade - ou sempre estiveram, sei lá... uma boa parte daquilo que é considerado ilegal, eu considero tri legal -, a CB não existe mais. E ela, a CB, que era um bairro intrinsicamente boêmio na leal e valorosa cidade de Porto Alegre, não é mais o lugar em que possamos, na companhia de belas damas e honrosos amigos, beber, conversar, fazer outras coisinhas mais e ser feliz. As coisas não vão bem por aqui, meu Bom Velhinho.
Se não disse, digo agora; se já disse, digo outra vez: jogo toda semana na Mega Sena\Quina\lotofácil. E não obtive sorte alguma. Quero a sua ajuda pra Mega da virada, por favor. O Senhor sabe se o hipódromo do cristal ainda funciona? Tô pensando em começar a apostar nos cavalinhos.
Esperá-lo-ei na noite de Natal, querido Papai Noel, e, por gentileza, traga-me os números da Mega sena. Eu também aceito dicas pra apostar no melhor pangaré, caso o hipódromo ainda funcione.
No mais era isso.
Neymar.
Domingo, bem cedito, aconteça o que acontecer, eu estarei aboletado na frente da TV.
Ainda me é custoso compreender por que há tanta gente que torce o nariz pro Neymar. Porém, cogito hipóteses: o guri é marrento; tem estilo pagodeiro/funkeiro, isso, sem dúvida, na opinião de muita gente, é um atentado ao bom gosto; virou o queridinho da mídia e tá fazendo sucesso (merecido, diga-se de passagem), e, no Brasil, como disse Tom Jobim, o sucesso é imperdoável; o guri tá acumulando zero e mais zero no lado direito da conta bancária, e, num país cuja desigualdade social assola e envergonha a todos, quem ganha muito dinheiro, mesmo que de forma honesta, corre o risco de estar cometendo um crime moralmente inafiançável. Não sei como ainda não colocaram esse guri numa praça pública e o queimaram na fogueira.
Soma-se a isso o fato de sermos gaúchos, ou seja, ressentidos, no fundo, por não sermos o centro das atenções nacional. O nosso ressentimento é análogo ao dos caxienses, por exemplo. Eles, os moradores da serra, chiam porque as emissoras gaúchas dão mais ênfase à dupla Grenal. Deixando, com isso, a dupla Caju no ostracismo das notícias. Caxias é periferia, Porto alegre é o centro; Rio Grande do Sul é periferia, eixo Rio/São Paulo é o centro. Essa lenga-lenga toda, na verdade, passa por disputas de poder, prestígio e cai no campo da economia. Mas aqui não é a FACED, e eu não vou evocar o Foucault ou seja lá quem foi o teórico que teceu considerações sobre essas coisas.
Quero é falar de futebol.
O Neymar é melhor que o Messi. Explico: antes, porém, vamos ao óbvio ululante.
Um é canhoto. O outro é destro. Isso é uma diferença. Agora vamos pra semelhança dentro da diferença: com a canhota, o Messi nos encanta, faz mágica, quebra expectativas, improvisa, arruma espaço onde não existe, pinta e borda, bagunça o sistema tático e defensivos dos adversários e faz chover! Com a canhota, ele conquistou a Europa e a honraria de melhor jogador do planeta.
O Neymar, por sua vez, faz tudo o que o Messi faz, mas com a direita. Ele não conquistou a Europa, conquistou a América. E a libertadores, creio eu, é tão difícil quanto a champions league – ou até mais.
Agora vamos inverter as pernas, e é aí que bate o ponto! A canhota do Neymar é mais habilidosa e mais eficiente do que a direita do Messi. O Neymar faz mais golaços e assistências com a canhota do que o Messi com a direita. Esse é o diferencial dentro da diferença. ( Nem falei em cabeceio, pois aí Neymar ganha.) O guri do santos é mais completo. É melhor, portanto.
O Neymar não foi pra Europa por motivos econômicos. Com o contrato que lhe fez o santos, ele tá ganhando uma babilônia de dinheiro ( sem falar nos infindáveis comercias) . Ele, agora, é praticamente dono do seu próprio passe. Se daqui 4 anos, que é quando termina o contrato, creio eu, ele for vendido por 120 milhões, esse mar de dinheiro desembocará diretamente em sua conta bancária. O Santos fez o certo, pois com o guri a chance de títulos aumentam, e o Neymar, ficando no Brasil, fez o mais certo ainda. Grana é grana. Ora bolas!
Mas um dia ele vai ostentar o talento nos gramados do velho continente. Fato incontornável. E mais incontornável é a sua ascensão à honraria de melhor jogador do planeta.
É por isso e por mais uma junção de coisas que estarei na frente da TV. Domingo. Bem cedito!
Ao contrário do que me falou um amigo meu: “Luiz, eu não gosto de futebol, eu gosto do Grêmio.”
Eu não! Eu, na contramão da avalanche, gosto mais de futebol do que do Grêmio. E, na contramão gaúcha, sou brasileiro e só depois gaúcho e só depois portoalegrense e só depois o guri criado nas barrancas do Belém velho.
Domingo é dia de ver arte, espetáculo, talento puro. Santos X Barcelona. O futuro melhor jogador do planeta X o atual melhor jogador do planeta. Torcerei pelo Brasil, pelo Santos, pelo Neymar. Torcerei pela certeza de que o talento deve prevalece e, acima de tudo, pela ideia de que quem o tem deve brilhar e brilhar e brilhar e brilhar.
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