Hoje em Roma tem o classico RoLa, que os italianos preferem chamar de Derby embora esteja bem mais pra Dallas, Shelton ou Hilton.
Ta chovendo. O estadio Olimpico estara lotado mesmo assim. A crise economica serve como desculpa pra ir passar o domingo no campo. "Amanha pode ser que as massas se revoltem", pensam romanistas e lazialis, "Vamo aproveitar hoje".
A Roma (é femea, bem como sua irma mais velha, a Lazio) pertence a um empresario americano. A Lazio nao sei, mas também é privada (bem como a Juventus).
Particularmente, prefiro a Lazio porque tem uma camisa azul calcinha sem patrocinio. A Roma, embora seja Grena, tem um laranja no uniforme assaz feio, até pelos patrocinios coloridos.
Acontece porém que me deram uma camisa branca da Roma, entao vou ver o jogo assim fardado. Torço pra que saiam muitos gols. A possibilidade de isso acontecer é grande, porque sao esquadras que jogam pra frente. A Lazio tem o Hernanes, a Roma teve o Falcao. E o goleiro gialo-rosso (mentira deles, pois como eu disse a Roma é grena-laranja) é um uruguaiano chamado Goycochea.
O jogo nao vale muita coisa (talvez uma vaguinha na Champions League, talvez, mas talvez mesmo). Vale por que é um classico.
O link pra ver a partida (ou qualquer outra): http://www.stopstream.tv/
Saluti.
11 de nov. de 2012
3 de ago. de 2012
Sigam-me os bãos
Antes
de ler isso aqui, tenha visto o vídeo, que é pra ir pregando o crima.
Como
diria Caetano Veloso, se soubesse que existimos, “Quem precisa de Maria Bethania se tu tem Enza Pagliara?”.
Pra
quem não gostou da voz, da música
etc, que repare ao
menos no colar de pimenta que a Enza porta. Símbolo de sorte (fortuna, em italiano), símbolo de comida
picante e de tudo mais que o bom seguidor possa imaginar. E quem gostou da
música, da mina etc., que dê uma conferida nesse site aqui, na página inicial mesmo,
onde tem um outro vídeo, ainda mais belo, com uma canção ainda mais bela.
O
mundo é grande, rapaziada. E a TV e a internet não te fazem vê-lo.
Grande coisa, eu sei, ficar
dizendo que o mundo é grande. Mas é que eu queria meter pau na TV e na internet e não sabia como.
Enza
Pagliara é de Torchiarolo, no sul da Italia, na Puglia (esse torchi quis dizer turcos em algum momento; arolo
é um sufixo que significa “ligado a”, mais ou menos, ou seja, Torchiarolo
significa “O lugar lá dos turco, tá ligado?”). A Puglia (se diz Pujia, ou Puiia, pergunte ao Puyol como se pronuncia) é uma região particularmente fértil em termos musicais. Em termos musicais, porque em termos de fertilidade strictu sensu (isto é, relativo à
possibilidade de alguma coisa da terra nascer lá), o posto é verdadeiramente
desaconselhável: puglia vem do latim apluvia, que significa “privada de chuva”,
e privada aqui não tem nada a ver com aquele
lugar onde tu lê revista do Pato Donald (Paolino Paperino, em italiano), nem muito
menos com aquele lugar que é só teu, que tu comprou graças ao sistema
capitalista (Deu$ $eja louvado), mas sim privada no sentido de que na Puglia não chove, e quando chove eles fazem festa, bebem vinho
e dançam e recolhem os refugiados albaneses, kosovos e, nos últimos tempos, também os gregos,
por que não. No resto do tempo, quer
dizer, quando faz sol (e arde esse sol), eles cantam músicas tristes como essa
aí, que se chama Malachianta, ou
seja, “Planta má”, literalmente.
Ephoda, como diziam os pasquintaneses nos bons tempos de ditadura.
Ephoda é a legítima deusa pugliese.
Para aqueles que viram futebol italiano nos
domingos de manhã, quando a Band era uma emissora respeitável (só
porque passava futebol italiano nos domingos de manhã), basta dizer que a Puglia é a região do Bari, do Lecce e do Foggia, ou seja, uma lugar fuggido também futebolisticamente. Torchiarolo
pertence à província de Bríndisi, que significa brinde, em italiano; então pega aí um copo d’água da torneira e
brinda comigo: À Brindisi!
Feito isso, andiamo avanti.
Viram o vídeo? O tamburelista se chama Davide
Conte, de Carmiano, também na Puglia. É o cara mais humilde desse mundo, depois
do Pablo de Porto Alegre, Rio Grande (cadê esse rio?) do Sul, Brasil. O cara
que tá tocando a gaita (organetto ela se chama, pergunte ao Renato) se chama
Russo (parente do Renato, o outro Renato, o homossônico, tá ligado?)
que não sei quem é, nem de onde é, mas quero muito crer que seja o cara do
vídeo seguinte:
Riram? Assim é a vida. Ou pelo menos é assim que ela devia ser levada.
Pra
terminar serenamente, vejamos esse outro vídeo aí. Nada de especial, diriam os
broxas. Não reparem nos sapatinhos.
Outra pugliese. Certo, existem outros adjetivos para qualificá-la,
mas esse é um blog de futebol. Ole, ole ole ole, Serena, Serena!
20 de jul. de 2012
Maus do meusmo
Mais uma vez, me encontro aqui
ouvindo antigas canções anarquistas.
Me encontro é modo de dizer,
naturalmente. É como se eu estivesse estado perdido, é como se me perder
servisse justamente pra depois ter motivação pra me encontrar. E tudo isso
metaforicamente, óbvio. A anarquia, o tempo, a vida, é tudo uma questão de
metáfora. Na realidade eu tô aqui com a bermuda do Caxias bebendo o meu vinho
napolitano e fumando e pensando que, se continuo sentado assim por mais alguns
anos, ficarei corcunda na certa. Mas é como disse aquele poeta latifundiário
brasileiro: quando eu não tenho nada a dizer, aí é que sai literatura.
Digo de uma vez por todas: a
noite é o segredo. A noite. Se um homem aguenta até a noite, está salvo. Sempre
metaforicamente, digo.
É uma coisa de que sabem os
gatos. De noite se pode mexer no lixo tranquilamente, se pode pedir comida e
beber sem reprovação, se pode ver, andar, mijar, dormir, se pode fazer tudo sem
que te perguntem o que diabo tu tá fazendo. A noite é a anarquia. É o paraíso.
Não sei do futuro. Acho que ou
o mundo acaba (porque esse sistema atual já era) ou o mundo muda pra uma coisa
sem o dinheiro. Ou vem aí uma grande guerra civil global ou se parte pra
auto-sustentabilidade, como dizem os eco-capitalistas. Chamem o troço como
quiserem. Desejo-vos boa sorte.
Nós, no cul do
mundo (seja na Italia ou no çul da América), vamos fazer o de sempre, que é
viver de nostalgia, descrendo do que há 3928 anos chamam de “novo”. Descrendo,
basicamente. Com a cachaça ao alcançe da mão.
Essa é uma coisa que me
preocupa do futuro. Não vale querer ser tudo saudável! Se a
“auto-sustentabilidade” vingar, não venham convecer a todos de não beber, de
não fumar, de não comer carne, de não jogar botão, bater punheta etc. Pelo amor
do deus do qual provarão a inexistência!
Esse é o perigo, atenção! Em
tudo tem o bom e o mau. Que não se seja nem muito inteligente nem muito
estulto! Tenhamos discernimento, como diziam as vovós nazistas, concordando com
os anarco-sindicalistas.
De minha parte, estarei em
Viamão jogando botão no campo que o Diabo me ofereceu um dia desses. Sempre com
uma bermuda grená, ou de cueca, quando a bermuda estiver secando no varal.
E, se bobear, vou fazer uns
dois alemãozinho só pra ensinar qualquer coisa que presta da vida pra eles. Só
pra provar um pouco do milagre e me obrigar a esperar alguma coisa do tal
futuro.
19 de jul. de 2012
A noite e tudo aquilo que o nada faz a gente dizer, digamos assim
Agora é tarde, agora é noite e a noite nunca se
fez tão bela quanto hoje, porque de noite se vê
mais fácil, pra não dizer melhor. Agora é a
hora em que me encontro bêbado de luz, pra não dizer de cerveja, e agora é a hora
em que devo escrever, apesar dos conselhos dos grandes escritores que dizem
todos que aquilo que tu escreve bêbado é aquilo de que tu te arrepende.
Porque aquilo que tu pensa que seja genial tu engole junto com o copo que tu bebe pra comemorar a ideia genial que tu teve.
Mas que bela língua, aquela portuguesa. Arrepende, arrependeste, arrependerás!
Pena que a gente fale um troço bem mais partido do cu.
Viram? É disso que me arrependerei amanhã.
Mas falemos da vida, que é do de que falam os que sabem falar. Falo. Não que
eu saiba falar. Eu sei escrever; é diferente.
O ponto e vírgula acima serve para comprovar que sei escrever. Não que eu
saiba. É só um modo de dizer.
Pois bem, ou mal, de futebol não tenho nada a dizer. Os escritores da ESPN
o fazem por mim, até porque ganham pra isso. Agora parece que tem uma Olimpíada
aí, e talvez o Brasil (seja isso onde for) ganhe, se não aparecer um Camarão ou uma Nigéria ou
qualquer seleção de futebol mais ou menos menos ansiosa do que a nossa. Não que
seja a minha. Faço de conta que escrevo para o país inteiro porque escrevo em
um blog. Futebol aos vivos... Ondé que já civil!
Falemos da vida, eu dizia, falemos dos italianos que não se sentem
europeus, ou não falemos deles justamente porque essa frase diz tudo: os
italianos de bom-senso (e o que é o bom-senso deixo para as pessoas de
bom-senso entenderem) os italianos de bom-senso não se sentem europeus. Assim como
os século-vintenses não se sentem caxienses porque têm o bom-senso de se
saberem século-vintenses, isto é, moradores do bairro Século Vinte (XX, para os cultos), mascadores de funcho e pegadores do ônibus
que os porta de uma em uma hora ao centro da cidade de Caxias. Do sul, naturalmente,
que do norte não sabemos um cazzo.
Tudo é uma questão de preconceito. E de beber da garrafa certa de um pessoa
sem hepatite C.
Mas não nos perdamos; ou sim, nos perdamos nessas ruas quaisqueres. Mas sempre
de noite, que é quando ninguém te exige nada (nem dinheiro, mas tamos falando da Italia, um país perto da Europa). Basta que tu
tenha a cara de pau de pedir o que quer que seja. E a coragem pra receber o
sólito não. Não nos deprimamos, companheiros. Quer mijar? O escuro é feito pra
isso mesmo, vai lá.
O importante é não perder o marido da foca, isto é, o foco. Isto é,
devíamos ter nascido no início do século passado, seja lá qual tenha sido. Isto
é, não devíamos ter nascido.
Mas se queremos falar de música, falemos desta. E, depois que tenham ouvido
essa última, ouçamos esta. Só pra sentir uma tristezinha básica nesse dia de grande alegria. Não nos desacostumemos da melancolia, pelamordedeus!
De tudo isso, só tenho a dizer o seguinte: por que os portugueses botaram
um "–ação" depois do cor natural latino?
Pra que complicar? Cor é sempre cor, não? Sim, tem umas mais claras do que outras, mas e
daí? Sabemos tudo de cor, não? Então pra que complicar?
Óbvio que, pra quem não entendeu, existem em português três tipos de cor: a
branca, a escura e aquela que diz respeito ao coração, que é a que importa.
Como me posso explicar? É nesse momento em que os bêbados se arrependem de ter
escrito. Mas enfim, uma cor é uma coisa e outra cor é outra coisa. Pergunte
para a pessoa inteligente mais próxima. Logo, evitem os professores catedráticos.
A minha hipótese é a seguinte: os portugueses, poetas como de sólito, e
também os espanhóis, se é que ainda se usa acento para denominá-los no plural,
não acreditavam no cor per se e acharam por mal (por bem é que
não) em meter uma ação depois. Por isso coração
e corazón. Os italianos, porque comem
pão e bebem vinho, e os franceses porque são intelectuais (alguma vantagem
deve ter nisso), mantiveram o latim e dizem ainda hoje cuore e coer, sem ação
nenhuma depois, porque o coração se basta nele mesmo, batendo e sentindo as
coisas que o coração sente.
Brega, porque é verdade. Os companheiros do Século Vinte entendem.
Nas outras línguas não sei. Diz a internet que coração em alemão é Hartz, o que explica muitas coisas sobre
a história germânica mas não tem nada a ver com o cor latino.
...
A noite se faz maior a cada segundo. Daqui a pouco olho pra janela e vejo o sol me encarando com aquela cara de gerente de padaria à beira-mar.
"Buon giorno, signor Pazzo, hai dormito bene?"
A ideia aqui era matar o tempo, indepentente do que fôssemos falar.
Tenho ainda um pouco de vinho, mas acho melhor guardar pra revisão do texto. Que é a parte mais divertida, na verdade, porque me serve como desculpa pra fumar mais
um cigarro.
É isso aí, e quando alguém escreve “é isso aí” é porque já não aguenta mais
enrolar o leitor. Não que eu não tenha dito nada. Não que eu não saiba como enrolar o leitor (sempre que exista) por mais algumas horas, mas acontece que há tempos já disse
tudo, e, enfim, acabou o texto.
1 de jul. de 2012
Dever de casa
Infelizmente, o título do texto não é "Prazer de casa", como queria o trocadilheiro que existe em mim, mas vamos lá.
Prima de tudo, o
Caxias tá tomando 2 do Macaé em casa, na nossa casa, onde jogarão minhas cinzas quando me queimarem na grande
fogueira da erva que atenua solidão. Estamos fazendo fiasco, mais ou menos como certa seleção azul fez
mais ou menos há quatro horas, mais ou
menos. E é isso que vim fazer aqui: fiasco, ou seja, o comentário sobre a derrota da
Espália frente à Itanha.
Entrepouco (enfim
se revela o trocadilheiro) devo falar do que na Italia se chama calcio
balilla. Que é o que os italianos sabem fazer de melhor: jogar o calcio
balilla. Quer dizer, jogar pebolim, totó, fla-flu, ca-ju, metegol,
para os leitores correntinos, ou futbolito, para os colombiana. É o
esporte nacional italiano por excelência. Os cara aqui o jogam desde a
infância, mais ou menos como nós jogamos botão, mais ou menos.
Uma
breve lista do que seja o pebolim (calcio balilla, nome de origem facista,
porque balilla era um palavrão que o Mussolini soltava sempre que não conseguia
fazer a entrega diária ao subterrâneo, aquilo que o povo chama de fazer cocô e
a nobreza chama de cagar, e sobretudo caga, sem chamar), depois vocês podem
compará-lo com o botão:
€ O
pebolim é mais rápido;
€ O
pebolim se deve jogar em quatro (de quatro é mais difícil, mas tu pode tentar), dois em cada time, um na defesa e outro na ataque;
€ A mão esquerda (leiam Fausto Wolff) deve fazer os mesmos
movimentos da mão direita. Quer dizer, por um lado é uma coisa monómona, mas
por outro exercita o ambidestrismo. Excluam-se os manetas;
€ A
força do meio. São cinco meio-campistas. Não se pode fazer uma formação
“buceta”, como certos botonistas amadores fazem. São cinco no meio e pronto. Um
do lado do outro. E na frente três. E na zaga dois. E no gol um coitado. Mas
isso faz com que o meio seja o ponto crucial, como em tudo nessa vida. E assim
se mantêm os padrões universais de equilíbrio. Cabala, diria a Madonna
(“Porca Madonna”, dizem os italianos depois de um terceiro gol espanhol).
€ O
gol contra (ou autogol), porém, dói tanto quanto no botão. E a distração é
fatal. Como foi dito no primeiro euro, é um jogo muito veloz. Olhou bunda se
fudeu.
€ É
que o calcio balilla se joga em tudo quanto é parque e festinha na Italia. Tem
sempre um lugar pra comprar cerveja, pizza e uma mesa de pebolim pros crianção.
Aí a galera se põe a jogar entre uma olhada de culo e outra. Porque o que mais
tem na Italia é culo. E teta. Enfim, mulher bonita é a coisa mais bonita desse
mundo de gols perdidos.
€ E
o Macaé faz o seu terceiro gol.
€ No
Centenário. Onde assoprarão minhas cinzas.
€ Mas
por que uma derrota sempre te faz pensar em morte?
€ Macaé.
O problema da Série C é essa. Se perde pra esse tipo de time.
€ No
pebolim se pode chutar de qualquer parte do campo. O mais legal é o gol de
goleiro.
€ Como
é um jogo rápido, os iniciantes (por mais que tenham jogado pebolim na infância
(e o que que não fizemos na infância? Vimos até o Caxias ser campeão!), não é a
mesma coisa que crescer jogando) se fodem mais rápido.
€ E
o Macaé faz o seu quarto gol.
€ Custa
um euro cada partida de calcio balilla.
€ O Caxias tem um
jogador que se chama Juba. O Macaé, um que se chama Zambi. O Grêmio perde para o Atlético Mineiro, depois de
vender seu melhor jogador justamente para o clube mineiro. O Inter tá com o
estádio interditado. É incrível a coincidência entre a partida da Italia com a
do Caxias.
E agora a má
notícia: é domingo.
20 de jun. de 2012
Dia de Mercúrio, oito horas, trinta graus
A pizza no
forno, com mozzarela de bufala de verdade, botamos a mesa na sacada, enchemos
um copo de vinho branco e nos metemos a fumar ouvindo Vinicio Capossella (meu
Nei Lisboa italiano, ou o Tom Waits dos bons tempos) olhando as bundas que
passam na esquina ali embaixo. É assim que se deve morrer um tipo como eu.
O trânsito
é de fim de tarde, o ar também. Daqui a pouco tudo se pacifica.
A bandeira
da Italia tremula no prédio em frente à esquerda. É a Eurocopa, e mal ou bem os
italianos ainda torcem pela nazionale.
Mas há quem comemore gol contra. O mundo ocidental está cheio de gente ligada
nos pormenores da corrupçao.
Em breve
chega Emanuele, o Calabrês, estacionando
sua Vespa na calçada. Aí ele pergunta como foi minha busca por trabalho, eu
aponto para o pedaço de pizza sobre o fogao e ele diz que tenho que ir à
Calábria para aprender a cozinhar com a mamma dele.
Impossível agradar
um italiano: la mamma sempre cozinha
melhor.
E o sinos.
Sim, sempre um sino a sonar. Alguns com musiquinhas
que lembram “Ciranda cirandinha”, outros mais clássicos, como deve ser um sino,
segundo eu. O último bateu às oito da noite, e ainda falta muito para
anoitecer.
Depois
volta o sol às cinco da matina, mas só se começa a trabalhar às nove. Dio,
preciso de um trabalho. Ou pra poder escolher ficar aqui por mais tempo, ou pra
poder voltar a Porto Alegre e pagar um porre de Brahma pros meus amigos.
Mas, por
enquanto, vinho branco na sacada.
Uva!
16 de jun. de 2012
CGB aposta em nova modalidade de
campeonato que inclui jogo por dinheiro
Público entende que não é uma
falha na organização, mas que a CGB vai além dos campeonatos tradicionais e propõe
nova estrutura para os torneios, com propostas como jogos por dinheiro.
Nos últimos encontros organizados
pela CGB foi possível compreender o vanguardismo dos dirigentes da Federação.
Nada foge ao controle dos organizadores, eles buscam uma nova forma de disputar
as taças. Isso foi o que afirmou o treinador do Barcelona depois de haver
ingerido a quantidade de vinho que cabe em uma garrafa e meia das duas que a
Argentina e o América de Cali levaram ao evento. O campeonato não aconteceu nos
trilhos convencionais, mas perto do final adquiriu tais ares de competição
profissional e mística que o público passou a entender o novo modelo. Como
prometido durante os jogos, deste assunto tratarão com mais detalhe os técnicos
do Barcelona ou da Seleção alemã – de quem seria interessante conhecer a opinião
do novo formato.
Depois da confraternização entre
os times citados, durante a qual os participantes puderam degustar petiscos e o
prato principal feito pela comissão barcelonesa, diversos times se apresentaram
gradativamente ao torneio, mesmo sem estarem inscritos. Devido ao consumo da
outra garrafa e meia que sobrou das duas que levaram a Argentina e o América de
Cali depois que o Barcelona apreciou a sua garrafa e meia, os repórteres
tiveram dificuldades para registrar todas as informações necessárias para a
cobertura, tais como as equipes participantes, os encontros celebrados e os
resultados obtidos. Ao ler, a seguir, quase somente a narração dos encontros em
que participaram, não se julgue egocentrismo dos repórteres argentinos onde
houve desatenção.
O primeiro jogo da noite foi,
como no último campeonato registrado, um belíssimo Alemanha 2 x 3 Argentina. Como
habitualmente, o Siebzehn e o Elf pipoquearam durante todo o jogo e não
conseguiram nem ultrapassar o meio do campo. Escoltando os dois gringuinhos, o
Goetze e o Achtzehn ficaram no “Ales blau” cumprimentando a torcida e estiveram
longe de provar o sabor do chucrute. Em algum momento a Alemanha fez dois gols.
Já do lado argentino, houve
festa, garra e futebol de qualidade. O time atuou com desenvoltura, com uma
marcação perfeita que não deu a mínima chance de a Alemanha tentar sorte. O
primeiro gol seria do ídolo máximo, do qual não é mais necessário citar o nome.
Depois de um passe preciso do seu colega Simeone-goleador, o homem-gol-de-onde-quer-que-esteja
encheu o pé e cravou um míssil no ângulo direito do coitadinho do Oliver Kahn
ou do Harald Shumacher, tanto faz, que só pode olhar para a bola e dizer “Kaiser!”
que deve ser um xingamento, mas tanto faz. O segundo gol foi fruto de um
lançamento milimétrico treinado pelo Zanetti nos últimos meses, graças ao qual
a bola sobrou limpa para o Maradona. Mesmo assim, o Diegol preferiu driblar
três botões para só então dar uma cavadinha airosa por cima do Jens Lehman ou
do Robert Enke, dá na mesma. O último gol deve ter sido do craque supremo. Extraordinário.
Ele deve ter escorado a bola no meio do campo, ameaçado dar o passe para algum
companheiro, com o que deve ter confundido todos os gringos, e depois de penetrar
na zaga dos branquelas deve ter dado um elegante chute de três dedos para
deixar o Sepp Maier ou o Manuel Neuer, pouco importa, babando em cima da cuca.
Assim, a Seleção da Argentina ficou com mais um placar favorável perante a
seleção da alemanha.
O segundo encontro que os
repórteres lembram foi o da Seleção argentina contra a Seleção da Intercap. O
Felipão, técnico da Intercap, suou a camisa mais do que esperava para manter um
0x0 que para a Argentina pareceu mais um treino. Tocados pela simpatia e
humildade do técnico, o homem-chamado-gol e o seus colegas decidiram não impor
um placar aviltante para manter o bom clima do encontro.
Outro jogo difícil de esquecer,
ao menos para o técnico do time espanhol, foi o Barcelona 1 x 4 Seleção da
República Teco. O treinador chegou a entrar em contato com a edição do jornal
para que não fosse publicado este resultado, dada a sua infeliz perdurabilidade
nas páginas do blog, no entanto, como agentes da verdade, os editores optaram
por não omitir nem deturpar nenhum fato. O carrossel, o jogo bonito, o jogo
aguerrido, o jogo elegante, o jogo europeu da República Teco passou por cima de
um tímido e frágil Barcelona que jogava ao ritmo da fermentação do vinho
argentino. Quatro gols foram feitos no lado espanhol, mas o que importa é que
poderiam ter sido oito. Já o gol do time da casa deve ter sido feito pelo
Messi, que, sabe-se, é um jogador argentino.
Muito nos apraz poder lembrar, entre
tudo o que foi esquecido, do último jogo da noite, que emocionou os corações do
público. O primeiro encontro realizado por dinheiro dentro das regras e domínios
da CGB. Para eventualidade tão especial, decidiu-se formar duplas. Numa
simpático e fértil acordo, o Barcelona e a Seleção argentina, em vez de
enfrentar-se, nessa noite jogaram juntos, codo
a codo. O time rival, fusão da República Teco e amigos, num ato desmedido
desafiou os treinadores da casa a jogar pelo montante de R$0,50. Por pura
gentileza, os times da casa aceitaram o desafio. Se para Barcelona-Argentina o
jogo foi duro, não foi pelo trabalho do rival, mas por mérito das três garrafas
de vinho que cada treinador tomara das duas que a Argentina e o América de Cali
levaram. Um jogo com vários erros e bolas que sobravam na frente do gol para o
time visitante pode ser observado pelas mais de 25 seleções que a essas horas
da noite ocupavam o Intercapizão. Tudo indicava um empate das equipes e uma
vitória do vinho. Tudo indicava esse resultado, mas só para aqueles desavisados
que não perceberam o homem-que-não-sabe-errar entre os jogadores, logo atrás da
linha do meio campo. Perto do final do jogo sobrou a primeira bola para ele
bater. O ângulo em que deveria projetar-se a bola era de menos de 70 graus. Ele
teria que enviá-la para trás. Até mesmo os repórteres duvidaram do perigo do
chute. O técnico do Barcelona e os amigos da República Teco se afastaram da
mesa para tratar de outro assunto com os observadores, desconsiderando quem bateria. Então o céu se
abriu e das nuvens surgiu um feixe de luz. O Valdano apontou e disse “Faça-se o
gol”. A bola que parecia impossível penetrou nas trevas da goleira do
adversário. Como um milagre, somente os treinadores da Argentina e da República
Teco viram o gol; somente o viram os que acreditavam ou temiam. Os outros
souberam depois. Minutos mais tarde o jogo acabava e a dupla imbatível dos da
casa ficava com o dinheiro e o título de campeão invencível para todo o
sempre.
11 de jun. de 2012
Roma
Roma é um tomate.
Eu ia dizer que Roma era um chuchu, mas essas coisas não tem por aqui (ao menos não nos negócios indianos abertos na hora
da sesta, e pra ser sincero nem mesmo nos superminimercados italianos ou nas
fruteiras. Só tomate, e com isso quero dizer também cebola, alho e berinjela,
37 tipos de berinjela). Então Roma é um tomate, vermelhinha e saudável como as
bochechas de certas ragazzas nessas tardes de início de verao.
Aqui se joga futebol. Em frente à casa tem uma quadra
de futebol sete bem verdinha, onde crianças gritonas (vale dizer italianas) e
senhores carecas praticam a arte de levar a bola até a linha de fundo e chutar
cruzado na esperança de que a menina desvie em alguma
pança/canela/nádega e entre no gol. E funciona. Pelo menos contra a Espanha sem
Messi (não há muito o que fazer; pobres Xavi-Iniesta-Fabregas com Fernando “El
pereba” Torres na centroavância. Ei, Fernando, tu nao tem 1/10 do talento da tua
irma brasileira).
Agora escrevo pra suprir minha própria (e de minha
senhora) necessidade de boa crônica em português. Sim, me refiro à Ivan Lessa,
que se foi sexta passada e que reeditará O Pasquim no Além com Millor e Fausto
Wolff. Na boa, dá até vontade de morrer pra tentar participar da refundação da revista
(como o Partido Comunista, que refundaram há pouco na Italia, sabe-se lá por
que quê). Vabenne. Fumemos mais um crivo e bebamos mais um vinho pra ver se
atalhamos um pouco a estrada.
Que coisa estranha esse egoismo de se sentir triste
quando alguém se vai desta pra, como querem crer, uma melhor. Que coisa
estranha esse estranhamento com a vida. Que coisa estranha a vida, que é vida
de um lado do oceano e ainda vida na outra parte. É óbvio que nao se acaba. É
óbvio que é só delírio.
Já escrevi uma lauda? Digamos que sim, que agora devo
ir procurar emprego.
Arriscreverci, amici miei.
7 de jun. de 2012
18 de mai. de 2012
Ai se io ti piglio, ai se io te prendo
Como dizem
os italianos, tchau!
Mas com
isso eles (e inclusive elas) querem dizer chega
mais, dos meu! Os portugueses,
porém, sempre tão (achei o til
num texto trazido do Brasil, e ainda fiz um versinho) tão espertos, eu dizia dos portuga, resolveram
adotar o cumprimento para fins contrários, ou seja, para fins de despedida e
assim é até hoje, embora estejamos usando mais o falou nas áreas juvenis do Rio Grande.
Mas o mundo
com sua maledetta globalizaçao vem dando frutos cada vez mais indigeríveis.
Sim, falo de música, ou pior, de pop brasileiro. Informo para vosso desgosto
(como se não bastasse o
inverno que ora entra, o fim do gauchato e o início dos pontos corridos do
brasileiro ainda mais chato a ser vencido por algum paulista cariocado ou
vice-versa) que aquela musiquinha idiota do cara aquele funciona em Perugia
para ninar criancinhas. Uma delícia. Criança chora e a mamma se põe a
cantarolar o hit do verão passado. O fim da picada, ou seja, o veneno se espalhou pelo corpo
todo e o médico se encontra perdido nos becos entre um kebabe e uma Birra
Peroni. Não existem
antídotos. Não adianta sair
do Brasile.
Claro, ou
escuro, se preferir: eles ouvem também música boa: de Bach a Lucio Dalla,
passando por Pavaroti e Pink Floyd. E o melhor: não ficam ouvindo música alta.
E os magrão magal (porque os há) não ficam botando caixa de som potente nos
autos. Talvez porque os Fiat sejam muito pequenos, que é pra caber nos becos e
poder estacionar de qualquer jeito. Louvemos a tolerância dos italianos para
com os italianos. Difícil ter briga de trânsito. O pessoal se vinga dos maus
motoristas sendo mau motorista. E funciona. Loucos são os ingleses, que
conseguem dirigir do lado errado e suportam cidades onde não bate o sol.
Aqui faz menos treze graus de noite, mais dez de manhã, mais trinta de
meio dia e volta a esfriar de tarde. Venta sempre. Um vento que vai direto nos
uvido do cara. Aquecimento na casa? Não sei como funciona, porque tem que pagar
depois e não provei. Sou pão duro mesmo. Duro e sem sal, que nem os pães
italianos. Mas sou sobretudo pobre. Difícil de explicar isso com essa minha
cara de alemão, mas rezo para que o etíope que me pediu dinheiro há pouco na
rua entenda. Esmola em euro é luxo. Gorjeta, então, nem se fala. É o principal
motivo pelo qual não vou a restaurantes, bares, padarias e coisas do gênero.
Gasto seis euros por semana para comprar um garrafão de vinho. E compro farinha
no mercado pra fazer pão de frigideira. De noite, risoto de cogumelo, ou massa
com tomate, que são as coisas que se podem comer por centavos aqui. Sobremesa?
Chupa os dedo.
Perugia, particularmente, está cheia de chinês, dos quais alguns são
sul-coreanos e taiwaneses. Lamento não ter sido educado para ver a diferença tão
nitidamente quanto a que vejo entre um alemão e um inglês. Na rua também se
podem encontrar árabes, indianos, tedescos, franceses e italianos,
naturalmente. E americanos. Sempre rosados, com um mapa na mão. A Itália é um
dicionário plurilingue.
Se eu fosse
mais espírito de porco, diria que o italiano típico tem trinta e três anos,
mora com a mamma, usa jaqueta de couro cor de cocô mole, camisa rosa “não sou gay por mais que pareça” por
dentro da calça jeans coladinha no rego, sapato vermelho ou azul, cabelo crespo
tipo poodle alto em cima e rapado dos lados, sobrancelha recém feita tipo “não sou gay por mais que pareça, tá?”,
uma cerveja Perondi na mão esquerda, um fone de ouvido/celular e um megafone na mão direita colado à boca pra falar
ainda mais alto do que os demais italianos típicos (e turistas, e estrangeiros
em desenvolvimento). Na mesma linha, eu poderia dizer que a italiana típica é
uma baranga stricto sensu, com cabelo pintado cor de táxi de Porto Alegre,
óculos rosa, shortinho azul ou verde evidenciando a ausência de bunda, pés
tortos descalços, sapatos de salto alto na mão esquerda, celular na direita, capacete de
vespa sob o sovaco, motoquinha entre as pernas, namorado com pitbull sem orelha
cortada por perto. Isso no frio. Se faz sol, ela levanta a blusa e bota a
pancinha pra pegar um bronze. Mas esses são apenas dois exemplares de
peruginos que vi na rua. A maioria dos italianos e italianas chama menos atenção. Seria como dizer que o brasileiro
típico é pagodeiro, tem cabelo descolorido com acetona, anda de cueca
aparecendo pra fora da bermuda, o retrato do Belo do Conjunto Musical Os
Marotos, se vocês se dignam a recordar. E a brasileira típica, para formar o par
perfeito, seria a Carla Peres. Ou a Sheila Carvalho. Um tchan.
De futebol,
digamos que a Perugia (nomes de times femininos, própria coisa italiana, mas é
porque se diz squadra, em vez de
time, clube) a Perugia venceu a quarta divisão e deve disputar a terceira ano que vem. E a
Ternana (vermelho e verde, o que agradaria aos torcedores de Juventude e Inter,
que abundam – mais bundam do que a – em Caxias), a Ternana de Terni venceu a
terceirona e subiu pra Série B, feito que o Caxias igualará este ano em nível
brasileiro, se a CBF deixar. A propósito, como anda o Ricardo Teixeira? Ou
melhor, o Andres Sanches? E o Mano, convocou o Oscar do Sao Paulo ou o Oscar do
Inter? Vale convocar jogador sem time definido? Se sim, indico meu amigo Pablo
da várzea da Intercap para o lugar do Josué.
Aqui tem uma quadra de basquete sempre cheia de chineses baixinhos. Os
representantes africanos, ao que parece, são sacerdotes que vêm aprender italiano para
depois pregar a palavra de Cristo na língua do vaticano (na verdade, era pra
ser latim, mas sacomé, ninguém tem tempo pra aprender a diferença entre dativo
e genitivo, entao vamos todos de italiano, que é a língua latina com menos
palavrão – só vafanculo, putana e stronzo, que nem palavrao é – quer dizer
medroso, ou cagão, se preferirem).
Futebol, que seria bom, só fora da cidade, no exíguo espaço entre uma oliveira
e uma ruína etrusca. A Itália só é tetra campeã mundial porque venceu duas copas nos anos 30
(Mussolini), uma em 82 (Paolo Rossi) e outra em 2006 (cabeçada de Zidane em
Materazzi).
Mas chega de falar mal deles, que são tri gente boa, eu é que sou subdesenvolvido e
não
consigo entender.
Esse era
pra ser o fim do texto, mas eu quero continuar escrevendo. Do que posso falar?
Ah, sim, do Caxias, que quase ganhou o campeonato do Inter. Melhor os colorados
comemorarem, que esse será a única coisa que ganharão esse ano. Vale a pena pagar
um milhão pro Dallessandro, outro milhão pro Bolivar, outro pro Wilson Matias, outro pro Lauro,
outro pro Paulo Brito e ainda outro pro Celso Roth (essas demissão sem justa
causa...)? Mas pior é o Grêmio, que gasta tanto quanto e nem vice do gauchão
consegue ser. Gladiador... Vi alguns em Roma, pedindo esmola na frente do
Coliseu. Os americanos, sempre dispostos a estender a mão para jogar uma bomba
ou bater uma foto, usam-nos (os gladiadores) para brincar de espadinha,
enquanto suas mulheres de terninho fazem fotografias a serem mostradas depois
na América (pois a América é os Estados Unidos – nós, com nossa desunião, não
merecemos portar o nome do continente).
Fim? Agora sim.
PS: a
palavra piglio se diz pilho. E prendo se diz prendo mesmo.
11 de mai. de 2012
A Itália é uma bota
A Itália é uma bota. Nao se sabe quem calça essa bota, mas é certo que nao troca de meia há
muito tempo.
De outros odores, destaque para o perfume de laranjeira dos jardins católicos
apostólicos romanos, logo atrás do Coliseu, aquele destroço onde lutavam homens
e leoes, mais ou menos como hoje fazem os japoneses e americanos com suas cameras fotográficas. Mas prendamos o
fôlego e mencionemos também o cheiro de
mijo mofado que ocorre nos mais escuros becos à noite e integram a umidade
latente (patente, se se trata de fazer o número dois) dessas cidadelas
fortificadas etrusco-medievais como Perugia (o centro do mundo, segundo o mapa
mundi apresentado nas escolas brasileiras do sertao). Ufa. Podemos respirar. O
dia amanhece e o povo do primeiro mundo se bota a jogar sacos de lixo pela
janela. E, antes que passe o lixeiro, sempre surge um dálmata (vira-lata
primeiro-mundista) para espalhar a cacaquinha italiana pela calçada (como sao
as ruas aqui – tudo calçada a ser dividida com os automóveis e as lambretas).
Mas é como dizem os descendentes de Nero e Calígula: “Primeiro mundo é a puta
que pariu, isto é, os tedescos. E a culpa é dos marroquinos”.
Marroquino quer dizer qualquer descendente de
Alá. Ninguém quer saber de onde de fato vêm esses paquistaneses. O importante é
pra onde vao, e que seja pra bem longe das criancinhas. No Brasil, por outro
lado do oceano Atlântico, se diz que a culpa é dos brasileiros mesmo. E dê-lhe
polícia a fazer atraque em preto ou quase preto, como dizia o Caetano Veloso, o
branco mais branco do Brasil (quer dizer, antes dele vem o Chico Buarque).
Poder-se-ia afirmar, com a mais presunçosa das mesóclises, que o Brasil é uma
Itália e um Marrocos e uma Albânia e um Iraque e uma Líbia que se sente um Estados
Unidos melhorado, porque teve um presidente sem um dedo e uma presidenta sem
(rápido, me digam algum golpe baixo a ser dado na Dilma, rápido!). Porra, e nem
futebol a gente joga mais.
Na Itália eles chamam isso de calcio, porque o museu Leonardo da Vinci
provou, entre uma Monalisa e uma Santa Ceia, que esse elemento químico (de
símbolo Ca, fileira 2A da tabela periódica, onde se encontram os óxidos e
outras bobagens, se me lembro bem das liçoes da psora Deojanira), esse elemento
é o que permite o ser humano a meter a bola entre as traves e o travessao,
desde que ela passe pelo goleiro, sempre que exista. E nao percamos de vista
que esse coitado também é dotado de calcio, portanto tem, segundo a praça Dante
Alighieri, todas as condiçoes de fazer o seu trabalho e ser uma pedra nel mezzo del camin de quem tenta fazer
gol, ou meter a bola pra dentro, como preferem os afrescos de Caravaggio.
Mas divago. Doutor Divago. Onde é que eu tava
mesmo? Em Perugia, Via della Viola, perto della Via del Fumo (ontem mataram um
cara por aqui; dizem que um libanês que trabalhava pra máfia umbra, ou
napoletana, ou romana, ou à milanesa, nao sei – de qualquer modo, é sempre mais
chique do que trabalhar pro Alemao do morro do Sabao). Aqui meia noite. Aí
oito. Daqui a pouco deve ter Copa do Brasil. O Gremio tem que jogar de novo
contra o Fortaleza, certo? Sinto muito. E o pofexô, como vai?
E o Inter, hein? Escalando jogador irregular
pra poder empatar com o Caxias... Que feio. Que vergonha.
Aqui eles dizem senso dell’umorismo em vez de senso de humor. No Brasil, só tem
senso de humorismo quem faz mestrado sobre Millôr Fernandes, Chico Anysio, Tom
Cavalcante, que Deus o tenha.
O melhor de tudo é que na Itália nao é preciso
ter relógio, desde que se aprenda a usar as igrejas, isto é, os campanelos, ou
seja, os campanários, quer dizer, os sinos, aliás, os badalos, bimbolaros,
badauês, abadás, berimbaus, dins e dons que anunciam o passar dos quartos de
hora. Per esempio, 3 blemblemblens inteiros, tonitruantes (viva a língua
portoghese) significam 3 horas, mas 3 toques débeis (dez decibéis) informam que
faltam 15 minutos para a hora cheia. E così via.
Importante informar que se pode pegar ônibus
sem pagar. Depois tu fica torcendo pra nenhum fiscal aparecer. Mas nao
aparecem. Dizem que fiscais, na Itália, sao tao raros quanto acentos
indicadores de nasal, a saber, o til. Vai ver é por isso que ninguém consegue
pronunciar a palavra pao por aqui.
Agora vejamos uma típica fala italiana:
“Ok. Certo. Va bene. Poi. Allora.
Dunque. Adesso. Quindi. Ebbene. Ecco. Vediamo. Insomma. Arrivederci”
E uma possível traduçao:
“Ok. Certo. Beleza. Entao. Portanto. Pois. E
agora. Entao. Portanto. Entao. Vejamos. Em suma. Falou”
Ah, acho que a Juventus ganhou o campeonato
deles aqui. Mas importa mais dizer que o Caxias Botao FC e a Napoli Botone ainda
nao acharam adversário (a bem dizer, nem campo pra jogar). Entretanto, ambas as
esquadras estao em plena forma plástico-acrílica e ficaram de certa forma gratos de nao
poderem participar de torneio tao mal-organizado pela Federaçao
Guajurivienense.
Agora todos descansam enquanto dois
funcionários muncipais com lava-a-jato limpam o mijo do beco em frente à
concentraçao. Nao disse que tudo aqui funciona direitinho?
6 de mai. de 2012
Campeonato organizado
pela CGB não dá certo.
No campeonato do sábado, a Confederação Guajuvirense de Botão recebeu participantes em número além do previsto e não teve sucesso na realização do campeonato mensal.
Devido à participação de Comissões além das expectativas, a CGB teve dificuldades em fazer cumprir o calendário do campeonato. A impossibilidade de estabelecer uma tabela e a falta de rigidez no controle do tempo de cada jogo fizeram que o campeonato tivesse alguns jogos atípicos, com goleadas, interrupções excessivas, jogos de dois contra um e partidas de iniciação para os novos times.
O San Lorenzo, grande responsável pela desvirtuação do calendário habitual, levou convidados além da conta. Depois de falhar nas diversas tentativas de negociações com o Manchester, chegou às instalações do estádio alemão, o Vielbier, acompanhado do Atlético de Medellín e do América de Cali. Mais tarde, o Millonarios, que solicitara ao time argentino fazer o reconhecimento do campo de botão, apareceu escoltado pelo Once Caldas e pela grácil companhia do Juventude. Os times inexperientes ocuparam o campo durante alguns jogos, infringiram regras descaradamente e abandonaram as tentativas alguns momentos depois.
O Barcelona, por outro lado, o segundo grande responsável pela inviabilidade do campeonato, permaneceu a maior parte do tempo do lado de fora do estádio, em animadas negociações com os numerosos representantes da seleção da Intercap. Centro de inflamadas discussões sobre a atuação de determinados jogadores e times nos diferentes campeonatos, não conseguiu atender as demandas futebolísticas e somente disputou um jogo, com uma atuação irreconhecível.
Apesar das inconvencionalidades, alguns jogos foram realizados, com uma plateia lotada, na qual compareceram amigos, irmãos e pais da seleção anfitriã.
O primeiro confronto foi responsabilidade da Alemanha e do San Lorenzo. Em menos de dez minutos o placar mostrou o resultado afortunado de 4x0 para o time argentino. No último minuto, houve o desconto alemão, a torcida invadiu o campo e foi a vez de outros times jogarem.
Sob pressões dos times anteriores, o América de Cali e o Medellín ocuparam a quadra. Os dez minutos ficaram curtos para o alto número de infrações cometidas pelos times que pareciam desorientados e desconhecedores das regras da CGB. Passado o tempo regulamentar, não demorou a saída de bola do encontro que acabou 0x0.
Logo, o Millonários enfrentou a Alemanha e, emulando a atitude antiesportiva dos outros times colombianos, faltou a diversas regras e tentou distrair a seleção com constantes comentários e perguntas estratégicas.
Em outros momentos, disputaram jogos a Alemanha e o Grêmio, que minutos antes assistia da plateia familiar (fraternal empate de 1x1), o mesmo Grêmio e um representante da seleção da Intercap (com diversas interrupções do Grêmio, atendendo ligações do resto da Comissão que não pode comparecer), o San Lorenzo e o mesmo representante da Intercap (vitória da Intercap de 1x0), e alguns outros times que mostraram jogos menos gloriosos.
O último jogo que o correspondente acompanhou foi um esquecível San Lorenzo x Barcelona, que não será computado no histórico dos jogos devido às irregularidades cometidas pelo time espanhol. Cabe salientar o único gesto do Barcelona aprovado pelo público (em parte, se atendermos aos comentários ríspidos da seleção Alemã com relação às verdades recônditas das preferências futebolísticas do coração do time espanhol): a escolha do time do Internacional para disputar tão esperado encontro, em homenagem amistosa ao técnico de dito time, que não pode comparecer por viagem à procura de novos talentos no futebol europeu. Comovido, o San Lorenzo procurou o time do Caxias para igualar o gesto espanhol. Lembrou, em seguida, que o técnico do grená viajara com todos os jogadores para buscar talentos no mundo europeu e ver se os ares do velho mundo melhoram o desempenho da equipe. Desenganado, o San Lorenzo jogou com o time titular (com os empréstimos argentinos Valdano e Zanetti). Depois de catimbear antes da saída de bola, o Barcelona, que perdera na moeda, tomou um golaço do sempre louvável Valdano (o gol foi comemorado pelo Barcelona como resposta às acusações da plateia a propósito de suas paixões futebolísticas). Com um técnico hesitante, o Nei não teve a felicidade de marcar com a saída de bola e o Inter começou a esmorecer. Estimulado pelo 4x1 inicial, o San Lorenzo atacou o time colorado durante os primeiros cinco minutos. Assustado, o técnico espanhol empregou toda sua destreza catimbística e passou a dividir o controle do time com uma técnica amadora (com grande futuro) que antes também ocupara a plateia familiar da seleção alemã. Abrandado pela ingenuidade da cotécnica do time espanhol, o San Lorenzo abandonou o jogo ofensivo e esperou o apito final para estender a mão ao Barcelona, que murmurou algo como “tu vê, fiz jogar a menina… essa vitória não conta, não?”.
No campeonato do sábado, a Confederação Guajuvirense de Botão recebeu participantes em número além do previsto e não teve sucesso na realização do campeonato mensal.
Devido à participação de Comissões além das expectativas, a CGB teve dificuldades em fazer cumprir o calendário do campeonato. A impossibilidade de estabelecer uma tabela e a falta de rigidez no controle do tempo de cada jogo fizeram que o campeonato tivesse alguns jogos atípicos, com goleadas, interrupções excessivas, jogos de dois contra um e partidas de iniciação para os novos times.
O San Lorenzo, grande responsável pela desvirtuação do calendário habitual, levou convidados além da conta. Depois de falhar nas diversas tentativas de negociações com o Manchester, chegou às instalações do estádio alemão, o Vielbier, acompanhado do Atlético de Medellín e do América de Cali. Mais tarde, o Millonarios, que solicitara ao time argentino fazer o reconhecimento do campo de botão, apareceu escoltado pelo Once Caldas e pela grácil companhia do Juventude. Os times inexperientes ocuparam o campo durante alguns jogos, infringiram regras descaradamente e abandonaram as tentativas alguns momentos depois.
O Barcelona, por outro lado, o segundo grande responsável pela inviabilidade do campeonato, permaneceu a maior parte do tempo do lado de fora do estádio, em animadas negociações com os numerosos representantes da seleção da Intercap. Centro de inflamadas discussões sobre a atuação de determinados jogadores e times nos diferentes campeonatos, não conseguiu atender as demandas futebolísticas e somente disputou um jogo, com uma atuação irreconhecível.
Apesar das inconvencionalidades, alguns jogos foram realizados, com uma plateia lotada, na qual compareceram amigos, irmãos e pais da seleção anfitriã.
O primeiro confronto foi responsabilidade da Alemanha e do San Lorenzo. Em menos de dez minutos o placar mostrou o resultado afortunado de 4x0 para o time argentino. No último minuto, houve o desconto alemão, a torcida invadiu o campo e foi a vez de outros times jogarem.
Sob pressões dos times anteriores, o América de Cali e o Medellín ocuparam a quadra. Os dez minutos ficaram curtos para o alto número de infrações cometidas pelos times que pareciam desorientados e desconhecedores das regras da CGB. Passado o tempo regulamentar, não demorou a saída de bola do encontro que acabou 0x0.
Logo, o Millonários enfrentou a Alemanha e, emulando a atitude antiesportiva dos outros times colombianos, faltou a diversas regras e tentou distrair a seleção com constantes comentários e perguntas estratégicas.
Em outros momentos, disputaram jogos a Alemanha e o Grêmio, que minutos antes assistia da plateia familiar (fraternal empate de 1x1), o mesmo Grêmio e um representante da seleção da Intercap (com diversas interrupções do Grêmio, atendendo ligações do resto da Comissão que não pode comparecer), o San Lorenzo e o mesmo representante da Intercap (vitória da Intercap de 1x0), e alguns outros times que mostraram jogos menos gloriosos.
O último jogo que o correspondente acompanhou foi um esquecível San Lorenzo x Barcelona, que não será computado no histórico dos jogos devido às irregularidades cometidas pelo time espanhol. Cabe salientar o único gesto do Barcelona aprovado pelo público (em parte, se atendermos aos comentários ríspidos da seleção Alemã com relação às verdades recônditas das preferências futebolísticas do coração do time espanhol): a escolha do time do Internacional para disputar tão esperado encontro, em homenagem amistosa ao técnico de dito time, que não pode comparecer por viagem à procura de novos talentos no futebol europeu. Comovido, o San Lorenzo procurou o time do Caxias para igualar o gesto espanhol. Lembrou, em seguida, que o técnico do grená viajara com todos os jogadores para buscar talentos no mundo europeu e ver se os ares do velho mundo melhoram o desempenho da equipe. Desenganado, o San Lorenzo jogou com o time titular (com os empréstimos argentinos Valdano e Zanetti). Depois de catimbear antes da saída de bola, o Barcelona, que perdera na moeda, tomou um golaço do sempre louvável Valdano (o gol foi comemorado pelo Barcelona como resposta às acusações da plateia a propósito de suas paixões futebolísticas). Com um técnico hesitante, o Nei não teve a felicidade de marcar com a saída de bola e o Inter começou a esmorecer. Estimulado pelo 4x1 inicial, o San Lorenzo atacou o time colorado durante os primeiros cinco minutos. Assustado, o técnico espanhol empregou toda sua destreza catimbística e passou a dividir o controle do time com uma técnica amadora (com grande futuro) que antes também ocupara a plateia familiar da seleção alemã. Abrandado pela ingenuidade da cotécnica do time espanhol, o San Lorenzo abandonou o jogo ofensivo e esperou o apito final para estender a mão ao Barcelona, que murmurou algo como “tu vê, fiz jogar a menina… essa vitória não conta, não?”.
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