3 de ago. de 2012

Sigam-me os bãos

Antes de ler isso aqui, tenha visto o vídeo, que é pra ir pregando o crima.
Como diria Caetano Veloso, se soubesse que existimos, “Quem precisa de Maria Bethania se tu tem Enza Pagliara?”.
Pra quem não gostou da voz, da música etc, que repare ao menos no colar de pimenta que a Enza porta. Símbolo de sorte (fortuna, em italiano), símbolo de comida picante e de tudo mais que o bom seguidor possa imaginar. E quem gostou da música, da mina etc., que dê uma conferida nesse site aqui, na página inicial mesmo, onde tem um outro vídeo, ainda mais belo, com uma canção ainda mais bela.
O mundo é grande, rapaziada. E a TV e a internet não te fazem vê-lo.
Grande coisa, eu sei, ficar dizendo que o mundo é grande. Mas é que eu queria meter pau na TV e na internet e não sabia como.
Enza Pagliara é de Torchiarolo, no sul da Italia, na Puglia (esse torchi quis dizer turcos em algum momento; arolo é um sufixo que significa “ligado a”, mais ou menos, ou seja, Torchiarolo significa “O lugar lá dos turco, tá ligado?”). A Puglia (se diz Pujia, ou Puiia, pergunte ao Puyol como se pronuncia) é uma região particularmente fértil em termos musicais. Em termos musicais, porque em termos de fertilidade strictu sensu (isto é, relativo à possibilidade de alguma coisa da terra nascer lá), o posto é verdadeiramente desaconselhável: puglia vem do latim apluvia, que significa “privada de chuva”, e privada aqui não tem nada a ver com aquele lugar onde tu lê revista do Pato Donald (Paolino Paperino, em italiano), nem muito menos com aquele lugar que é só teu, que tu comprou graças ao sistema capitalista (Deu$ $eja louvado), mas sim privada no sentido de que na Puglia não chove, e quando chove eles fazem festa, bebem vinho e dançam e recolhem os refugiados albaneses, kosovos e, nos últimos tempos, também os gregos, por que não. No resto do tempo, quer dizer, quando faz sol (e arde esse sol), eles cantam músicas tristes como essa aí, que se chama Malachianta, ou seja, “Planta má”, literalmente.
Ephoda, como diziam os pasquintaneses nos bons tempos de ditadura. Ephoda é a legítima deusa pugliese.
Para aqueles que viram futebol italiano nos domingos de manhã, quando a Band era uma emissora respeitável (só porque passava futebol italiano nos domingos de manhã), basta dizer que a Puglia é a região do Bari, do Lecce e do Foggia, ou seja, uma lugar fuggido também futebolisticamente. Torchiarolo pertence à província de Bríndisi, que significa brinde, em italiano; então pega aí um copo d’água da torneira e brinda comigo: À Brindisi!

Feito isso, andiamo avanti.





Viram o vídeo? O tamburelista se chama Davide Conte, de Carmiano, também na Puglia. É o cara mais humilde desse mundo, depois do Pablo de Porto Alegre, Rio Grande (cadê esse rio?) do Sul, Brasil. O cara que tá tocando a gaita (organetto ela se chama, pergunte ao Renato) se chama Russo (parente do Renato, o outro Renato, o homossônico, tá ligado?) que não sei quem é, nem de onde é, mas quero muito crer que seja o cara do vídeo seguinte:


Riram? Assim é a vida. Ou pelo menos é assim que ela devia ser levada.
Pra terminar serenamente, vejamos esse outro vídeo aí. Nada de especial, diriam os broxas. Não reparem nos sapatinhos.


Outra pugliese. Certo, existem outros adjetivos para qualificá-la, mas esse é um blog de futebol. Ole, ole ole ole, Serena, Serena!