Antes
de ler isso aqui, tenha visto o vídeo, que é pra ir pregando o crima.
Como
diria Caetano Veloso, se soubesse que existimos, “Quem precisa de Maria Bethania se tu tem Enza Pagliara?”.
Pra
quem não gostou da voz, da música
etc, que repare ao
menos no colar de pimenta que a Enza porta. Símbolo de sorte (fortuna, em italiano), símbolo de comida
picante e de tudo mais que o bom seguidor possa imaginar. E quem gostou da
música, da mina etc., que dê uma conferida nesse site aqui, na página inicial mesmo,
onde tem um outro vídeo, ainda mais belo, com uma canção ainda mais bela.
O
mundo é grande, rapaziada. E a TV e a internet não te fazem vê-lo.
Grande coisa, eu sei, ficar
dizendo que o mundo é grande. Mas é que eu queria meter pau na TV e na internet e não sabia como.
Enza
Pagliara é de Torchiarolo, no sul da Italia, na Puglia (esse torchi quis dizer turcos em algum momento; arolo
é um sufixo que significa “ligado a”, mais ou menos, ou seja, Torchiarolo
significa “O lugar lá dos turco, tá ligado?”). A Puglia (se diz Pujia, ou Puiia, pergunte ao Puyol como se pronuncia) é uma região particularmente fértil em termos musicais. Em termos musicais, porque em termos de fertilidade strictu sensu (isto é, relativo à
possibilidade de alguma coisa da terra nascer lá), o posto é verdadeiramente
desaconselhável: puglia vem do latim apluvia, que significa “privada de chuva”,
e privada aqui não tem nada a ver com aquele
lugar onde tu lê revista do Pato Donald (Paolino Paperino, em italiano), nem muito
menos com aquele lugar que é só teu, que tu comprou graças ao sistema
capitalista (Deu$ $eja louvado), mas sim privada no sentido de que na Puglia não chove, e quando chove eles fazem festa, bebem vinho
e dançam e recolhem os refugiados albaneses, kosovos e, nos últimos tempos, também os gregos,
por que não. No resto do tempo, quer
dizer, quando faz sol (e arde esse sol), eles cantam músicas tristes como essa
aí, que se chama Malachianta, ou
seja, “Planta má”, literalmente.
Ephoda, como diziam os pasquintaneses nos bons tempos de ditadura.
Ephoda é a legítima deusa pugliese.
Para aqueles que viram futebol italiano nos
domingos de manhã, quando a Band era uma emissora respeitável (só
porque passava futebol italiano nos domingos de manhã), basta dizer que a Puglia é a região do Bari, do Lecce e do Foggia, ou seja, uma lugar fuggido também futebolisticamente. Torchiarolo
pertence à província de Bríndisi, que significa brinde, em italiano; então pega aí um copo d’água da torneira e
brinda comigo: À Brindisi!
Feito isso, andiamo avanti.
Viram o vídeo? O tamburelista se chama Davide
Conte, de Carmiano, também na Puglia. É o cara mais humilde desse mundo, depois
do Pablo de Porto Alegre, Rio Grande (cadê esse rio?) do Sul, Brasil. O cara
que tá tocando a gaita (organetto ela se chama, pergunte ao Renato) se chama
Russo (parente do Renato, o outro Renato, o homossônico, tá ligado?)
que não sei quem é, nem de onde é, mas quero muito crer que seja o cara do
vídeo seguinte:
Riram? Assim é a vida. Ou pelo menos é assim que ela devia ser levada.
Pra
terminar serenamente, vejamos esse outro vídeo aí. Nada de especial, diriam os
broxas. Não reparem nos sapatinhos.
Outra pugliese. Certo, existem outros adjetivos para qualificá-la,
mas esse é um blog de futebol. Ole, ole ole ole, Serena, Serena!
Nenhum comentário:
Postar um comentário