20 de jul. de 2012

Maus do meusmo

Mais uma vez, me encontro aqui ouvindo antigas canções anarquistas.
Me encontro é modo de dizer, naturalmente. É como se eu estivesse estado perdido, é como se me perder servisse justamente pra depois ter motivação pra me encontrar. E tudo isso metaforicamente, óbvio. A anarquia, o tempo, a vida, é tudo uma questão de metáfora. Na realidade eu tô aqui com a bermuda do Caxias bebendo o meu vinho napolitano e fumando e pensando que, se continuo sentado assim por mais alguns anos, ficarei corcunda na certa. Mas é como disse aquele poeta latifundiário brasileiro: quando eu não tenho nada a dizer, aí é que sai literatura.
Digo de uma vez por todas: a noite é o segredo. A noite. Se um homem aguenta até a noite, está salvo. Sempre metaforicamente, digo.
É uma coisa de que sabem os gatos. De noite se pode mexer no lixo tranquilamente, se pode pedir comida e beber sem reprovação, se pode ver, andar, mijar, dormir, se pode fazer tudo sem que te perguntem o que diabo tu tá fazendo. A noite é a anarquia. É o paraíso.
Não sei do futuro. Acho que ou o mundo acaba (porque esse sistema atual já era) ou o mundo muda pra uma coisa sem o dinheiro. Ou vem aí uma grande guerra civil global ou se parte pra auto-sustentabilidade, como dizem os eco-capitalistas. Chamem o troço como quiserem. Desejo-vos boa sorte.
Nós, no cul do mundo (seja na Italia ou no çul da América), vamos fazer o de sempre, que é viver de nostalgia, descrendo do que há 3928 anos chamam de “novo”. Descrendo, basicamente. Com a cachaça ao alcançe da mão.
Essa é uma coisa que me preocupa do futuro. Não vale querer ser tudo saudável! Se a “auto-sustentabilidade” vingar, não venham convecer a todos de não beber, de não fumar, de não comer carne, de não jogar botão, bater punheta etc. Pelo amor do deus do qual provarão a inexistência!
Esse é o perigo, atenção! Em tudo tem o bom e o mau. Que não se seja nem muito inteligente nem muito estulto! Tenhamos discernimento, como diziam as vovós nazistas, concordando com os anarco-sindicalistas.
De minha parte, estarei em Viamão jogando botão no campo que o Diabo me ofereceu um dia desses. Sempre com uma bermuda grená, ou de cueca, quando a bermuda estiver secando no varal.
E, se bobear, vou fazer uns dois alemãozinho só pra ensinar qualquer coisa que presta da vida pra eles. Só pra provar um pouco do milagre e me obrigar a esperar alguma coisa do tal futuro.

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