Mais uma vez, me encontro aqui
ouvindo antigas canções anarquistas.
Me encontro é modo de dizer,
naturalmente. É como se eu estivesse estado perdido, é como se me perder
servisse justamente pra depois ter motivação pra me encontrar. E tudo isso
metaforicamente, óbvio. A anarquia, o tempo, a vida, é tudo uma questão de
metáfora. Na realidade eu tô aqui com a bermuda do Caxias bebendo o meu vinho
napolitano e fumando e pensando que, se continuo sentado assim por mais alguns
anos, ficarei corcunda na certa. Mas é como disse aquele poeta latifundiário
brasileiro: quando eu não tenho nada a dizer, aí é que sai literatura.
Digo de uma vez por todas: a
noite é o segredo. A noite. Se um homem aguenta até a noite, está salvo. Sempre
metaforicamente, digo.
É uma coisa de que sabem os
gatos. De noite se pode mexer no lixo tranquilamente, se pode pedir comida e
beber sem reprovação, se pode ver, andar, mijar, dormir, se pode fazer tudo sem
que te perguntem o que diabo tu tá fazendo. A noite é a anarquia. É o paraíso.
Não sei do futuro. Acho que ou
o mundo acaba (porque esse sistema atual já era) ou o mundo muda pra uma coisa
sem o dinheiro. Ou vem aí uma grande guerra civil global ou se parte pra
auto-sustentabilidade, como dizem os eco-capitalistas. Chamem o troço como
quiserem. Desejo-vos boa sorte.
Nós, no cul do
mundo (seja na Italia ou no çul da América), vamos fazer o de sempre, que é
viver de nostalgia, descrendo do que há 3928 anos chamam de “novo”. Descrendo,
basicamente. Com a cachaça ao alcançe da mão.
Essa é uma coisa que me
preocupa do futuro. Não vale querer ser tudo saudável! Se a
“auto-sustentabilidade” vingar, não venham convecer a todos de não beber, de
não fumar, de não comer carne, de não jogar botão, bater punheta etc. Pelo amor
do deus do qual provarão a inexistência!
Esse é o perigo, atenção! Em
tudo tem o bom e o mau. Que não se seja nem muito inteligente nem muito
estulto! Tenhamos discernimento, como diziam as vovós nazistas, concordando com
os anarco-sindicalistas.
De minha parte, estarei em
Viamão jogando botão no campo que o Diabo me ofereceu um dia desses. Sempre com
uma bermuda grená, ou de cueca, quando a bermuda estiver secando no varal.
E, se bobear, vou fazer uns
dois alemãozinho só pra ensinar qualquer coisa que presta da vida pra eles. Só
pra provar um pouco do milagre e me obrigar a esperar alguma coisa do tal
futuro.
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