Infelizmente, o título do texto não é "Prazer de casa", como queria o trocadilheiro que existe em mim, mas vamos lá.
Prima de tudo, o
Caxias tá tomando 2 do Macaé em casa, na nossa casa, onde jogarão minhas cinzas quando me queimarem na grande
fogueira da erva que atenua solidão. Estamos fazendo fiasco, mais ou menos como certa seleção azul fez
mais ou menos há quatro horas, mais ou
menos. E é isso que vim fazer aqui: fiasco, ou seja, o comentário sobre a derrota da
Espália frente à Itanha.
Entrepouco (enfim
se revela o trocadilheiro) devo falar do que na Italia se chama calcio
balilla. Que é o que os italianos sabem fazer de melhor: jogar o calcio
balilla. Quer dizer, jogar pebolim, totó, fla-flu, ca-ju, metegol,
para os leitores correntinos, ou futbolito, para os colombiana. É o
esporte nacional italiano por excelência. Os cara aqui o jogam desde a
infância, mais ou menos como nós jogamos botão, mais ou menos.
Uma
breve lista do que seja o pebolim (calcio balilla, nome de origem facista,
porque balilla era um palavrão que o Mussolini soltava sempre que não conseguia
fazer a entrega diária ao subterrâneo, aquilo que o povo chama de fazer cocô e
a nobreza chama de cagar, e sobretudo caga, sem chamar), depois vocês podem
compará-lo com o botão:
€ O
pebolim é mais rápido;
€ O
pebolim se deve jogar em quatro (de quatro é mais difícil, mas tu pode tentar), dois em cada time, um na defesa e outro na ataque;
€ A mão esquerda (leiam Fausto Wolff) deve fazer os mesmos
movimentos da mão direita. Quer dizer, por um lado é uma coisa monómona, mas
por outro exercita o ambidestrismo. Excluam-se os manetas;
€ A
força do meio. São cinco meio-campistas. Não se pode fazer uma formação
“buceta”, como certos botonistas amadores fazem. São cinco no meio e pronto. Um
do lado do outro. E na frente três. E na zaga dois. E no gol um coitado. Mas
isso faz com que o meio seja o ponto crucial, como em tudo nessa vida. E assim
se mantêm os padrões universais de equilíbrio. Cabala, diria a Madonna
(“Porca Madonna”, dizem os italianos depois de um terceiro gol espanhol).
€ O
gol contra (ou autogol), porém, dói tanto quanto no botão. E a distração é
fatal. Como foi dito no primeiro euro, é um jogo muito veloz. Olhou bunda se
fudeu.
€ É
que o calcio balilla se joga em tudo quanto é parque e festinha na Italia. Tem
sempre um lugar pra comprar cerveja, pizza e uma mesa de pebolim pros crianção.
Aí a galera se põe a jogar entre uma olhada de culo e outra. Porque o que mais
tem na Italia é culo. E teta. Enfim, mulher bonita é a coisa mais bonita desse
mundo de gols perdidos.
€ E
o Macaé faz o seu terceiro gol.
€ No
Centenário. Onde assoprarão minhas cinzas.
€ Mas
por que uma derrota sempre te faz pensar em morte?
€ Macaé.
O problema da Série C é essa. Se perde pra esse tipo de time.
€ No
pebolim se pode chutar de qualquer parte do campo. O mais legal é o gol de
goleiro.
€ Como
é um jogo rápido, os iniciantes (por mais que tenham jogado pebolim na infância
(e o que que não fizemos na infância? Vimos até o Caxias ser campeão!), não é a
mesma coisa que crescer jogando) se fodem mais rápido.
€ E
o Macaé faz o seu quarto gol.
€ Custa
um euro cada partida de calcio balilla.
€ O Caxias tem um
jogador que se chama Juba. O Macaé, um que se chama Zambi. O Grêmio perde para o Atlético Mineiro, depois de
vender seu melhor jogador justamente para o clube mineiro. O Inter tá com o
estádio interditado. É incrível a coincidência entre a partida da Italia com a
do Caxias.
E agora a má
notícia: é domingo.
Paulo, se tu escrevesse esse texto uns dois dias antes, talvez o camarada Augusto se influenciasse para comprar uma mesa de calcio balilla. Pois saiba que o camarada Augusto comprou uma nova mesa de botão. "Sí, será una espécie de arena para mi jugadores treinarem, aumentando las chances de sermos campeones", foi o que disse aos repórteres na saída do mimo o camarada Augusto. Camarada Augusto que consta em registros como o mentor, o idealizador primário da famosa formação buceta, posteriormente adotada por esquemas botonistas germânicos.
ResponderExcluirOutra de botão: Apaixonado, Augusto Nemitz comprou a seleção da colômbia. Já está escalada e adesivada. O tempo dirá se está madura ou se precisará ser reforçada, afinal, seus jogadores todos custaram apenas um real.
No mesmo espírito de renovação, ampliação de domínios e certa pobreza, o técnico do barcelona comprou a seleção brasileira, também por um pila cada atleta. O selecionado ainda não está totalmente definido. Montar um timaço do Brasil é muito mais difícil que montar um timaço com o Barcelona. De certas, até agora, somente três posições: o 1 que é o Taffarel, O 10 será o Zico e o 11 que é o Romário. O resto tá foda. Me manda alguma idéia aí da terra do pebolim. Dupla de zaga, por exemplo. Ou laterais, ou volantes.. Também gostaria de um meia canhoto, do nível do Zico. Até agora só lembrei do Neto e do Djalminha! Mas esses vou deixar pra escalar no dia em que chegar no mimo e falar "Me vê aí o time do guarani de campinas, faz favor."
A última de futebol: Está documentado, desta vez, mais um palpite vencedor deste que vos fala. Num comentário acerca do texto que informa que roma é um tomate, no dia 11 de junho, apareço lá dizendo quem venceria a Eurocopa. E o mais curioso é que, junto com esta afirmação, tem uma escovada no Mário Baloteli e na seleção italiana, pequenos coadjuvantes na saga escrita pela seleção espanhola de Xavi e Iniesta.
Adeus amigos, até o próximo post!
Camarada que comprou o Brasil (ja que comprou, instaura a anarquia!):
ResponderExcluirPra mim o goleiro tem que ser mesmo o Taffarel, ou o Gilmar Bogode, ja que o Gilmar do Caxias nao vale nada e o Gilmar das Antiga nao vimos jogar e nao sabemos nem se existe. Taffarel vai bem, sobretudo nas bolas paradas.
Lateral? Jorginho e Branco. Tem duvida? Bom, talvez o Arce na direita, se tu casar ele com uma brasileira e dar a nacionalidade ao paraguiao. Mas nao sei. Paraguaio é sempre meio brasleiro e viceversa.
Zaga: Aldair e Ricardo Rocha. O primeiro porque deu aquele passe pro Bebeto, cinquenta metro como diz a musica. O segundo porque tinha a cara de pau de usar um bigode de limpar penico.
Meio: Felipe Melo, Josué e algum sub-20 do Corintia. Ou entao Junior, canhoto, Rivelino, canhoto e Socrates, bebum.
Na frente, além do Romario, pra nao dize Bebeto digamos Garrincha, que ninguem viu jogar porque era muito rapido e preferia ficar bebendo cachaça no buteco, em vez de participar dessa menzonha toda. E depois tem o Tulio, o Viola, o Luisao. O Mazinho Loiola. Até o Jardel jogou no Brasil. E na duvida, mas na duvida mesmo, mete o Pelé. So pra perder o preconceito com o rei do besteirol. Desenterra ai.
Pra salvar um pouco o nome da Italia, quero fazer uma selecao italiana afude. Pagliuca; Costacurta, Maldini, Baresi, Chielini; Pirlo, De Rossi, Baggio; Rossi, Chiesa, Maradona, alias, Amauri, alias, Batistuta, alias, Crespo, alias, Balotelli. So porque é preto e nao vou com a cara do Del Piero nem com a do Totti. Stu biancu du merda!
Duas coisas importantes a dizer:
ResponderExcluir1) Formação buceta é muito engraçado.
2) No país de Corrientes se joga muito metegol. Acho que por isso o botão não chegou lá. Mas agora meus amigos, que estão disseminando o jogo que nem um vírus letal, vão acabar com essa palhaçada de jogar rápido e não poder olhar bunda, dar uma fumada ou engolir um gole antes de chutar a gol. Que tipo de divertimento é esse?
3) A Seleção Colombia, compra sugerida pelo Pablo, espera ansiosamente o Caxias para responder ao que nos últimos encontros nos perguntamos mais de uma vez: "será que vamos dar um laço no Paulo quando ele voltar?"
4) Epístola da tentação: "E, no cume do monte Sinaí, disse o demônio : um campo de botão te comprarei, se a Porto Alegre voltares" (João, 3, 14-15)
O Caxias Botao & Vinho informa:
ResponderExcluir1) Animou-se muito com a proposta do Demonio, esse esplendido negociador (sem falar que é craque no esporte-da-bolinha-que-se-perde-facilmente). Sem a promessa de um campo de botao a supracitada sociedade botonistica cogitava a hipotese de mudar-se para o Brasil, mais precisamente para a Bahia, ou o Ceara, ou aquele outro estado que nao me recordo o nome, onde se joga botao com bolinha de pano ao som dos coqueiros e do bate-coxa as mulatas. Essa proposta de uma mesa de botao gaucha muda tudo de figura...
2) Sobretudo porque nos interessa disputar contra os sulamericanos do sul, a saber: correntinos. Colombianos valem tambem, desde que habitem no sul por mais de duas horas.
3) Quem sabe um dia nao fazemos um belo campeonato internacional? Com tabela, partidas cronometradas, um troço fascista mesmo.
4) O Caxias Além-Mar informa ainda que nao tem medo de jogar contra voceis porque estamos treinando nas goleiras menores, sobre superficies arenosas e calcarias, o que quer dizer que morremos de saudade de um campo de botao decente e que, mesmo se tormarmos laço de todo mundo, nao vamos se importar.
Beijos