20 de jun. de 2012

Dia de Mercúrio, oito horas, trinta graus


A pizza no forno, com mozzarela de bufala de verdade, botamos a mesa na sacada, enchemos um copo de vinho branco e nos metemos a fumar ouvindo Vinicio Capossella (meu Nei Lisboa italiano, ou o Tom Waits dos bons tempos) olhando as bundas que passam na esquina ali embaixo. É assim que se deve morrer um tipo como eu.
O trânsito é de fim de tarde, o ar também. Daqui a pouco tudo se pacifica.
A bandeira da Italia tremula no prédio em frente à esquerda. É a Eurocopa, e mal ou bem os italianos ainda torcem pela nazionale. Mas há quem comemore gol contra. O mundo ocidental está cheio de gente ligada nos pormenores da corrupçao.
Em breve chega  Emanuele, o Calabrês, estacionando sua Vespa na calçada. Aí ele pergunta como foi minha busca por trabalho, eu aponto para o pedaço de pizza sobre o fogao e ele diz que tenho que ir à Calábria para aprender a cozinhar com a mamma dele.
Impossível agradar um italiano: la mamma sempre cozinha melhor.
E o sinos. Sim, sempre um sino a sonar.  Alguns com musiquinhas que lembram “Ciranda cirandinha”, outros mais clássicos, como deve ser um sino, segundo eu. O último bateu às oito da noite, e ainda falta muito para anoitecer.
Depois volta o sol às cinco da matina, mas só se começa a trabalhar às nove. Dio, preciso de um trabalho. Ou pra poder escolher ficar aqui por mais tempo, ou pra poder voltar a Porto Alegre e pagar um porre de Brahma pros meus amigos.
Mas, por enquanto, vinho branco na sacada.
Uva!

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