A pizza no
forno, com mozzarela de bufala de verdade, botamos a mesa na sacada, enchemos
um copo de vinho branco e nos metemos a fumar ouvindo Vinicio Capossella (meu
Nei Lisboa italiano, ou o Tom Waits dos bons tempos) olhando as bundas que
passam na esquina ali embaixo. É assim que se deve morrer um tipo como eu.
O trânsito
é de fim de tarde, o ar também. Daqui a pouco tudo se pacifica.
A bandeira
da Italia tremula no prédio em frente à esquerda. É a Eurocopa, e mal ou bem os
italianos ainda torcem pela nazionale.
Mas há quem comemore gol contra. O mundo ocidental está cheio de gente ligada
nos pormenores da corrupçao.
Em breve
chega Emanuele, o Calabrês, estacionando
sua Vespa na calçada. Aí ele pergunta como foi minha busca por trabalho, eu
aponto para o pedaço de pizza sobre o fogao e ele diz que tenho que ir à
Calábria para aprender a cozinhar com a mamma dele.
Impossível agradar
um italiano: la mamma sempre cozinha
melhor.
E o sinos.
Sim, sempre um sino a sonar. Alguns com musiquinhas
que lembram “Ciranda cirandinha”, outros mais clássicos, como deve ser um sino,
segundo eu. O último bateu às oito da noite, e ainda falta muito para
anoitecer.
Depois
volta o sol às cinco da matina, mas só se começa a trabalhar às nove. Dio,
preciso de um trabalho. Ou pra poder escolher ficar aqui por mais tempo, ou pra
poder voltar a Porto Alegre e pagar um porre de Brahma pros meus amigos.
Mas, por
enquanto, vinho branco na sacada.
Uva!
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