E se o Juventude fosse grená, que nem o Caxias?
Quando tivesse Ca-Ju no Centenário, o Juventude jogaria de branco, uniforme reserva por excelência (né Santos?). No Jaconi, quem usaria branco seria o Caxias. Mas a cor das arquibancadas seria a mesma, tanto num estádio quanto no outro, e de longe você não saberia dizer se o sujeito com a camisa grená torce para o Caxias ou para o Juventude. Que rivalidade se estabeleceria a partir disso?
Acontece que, em Belém do Pará (onde Jesus teria nascido, se Deus quisesse um filho brasileiro, em vez de palestino), em dia de clássico todo mundo se veste de azul, desde 1914, quando o Paysandu foi fundado (o Remo já existia desde 1905).
Sim, o Remo é azul escuro, e o Paysandu, azul claro. Os primeiros são chamados azulistas. Os segundos, bicolores. Diz um torcedor da Tuna Luso (uma espécie de Portuguesa Paraense) que o Remo tem a cor do rio Amazonas, enquanto que o Paysandu tem a cor do rio Guamá, ambos rios que passam lá pela Paris n'América (como Belém já foi chamada, n'a época d'apóstrofe), o que, segundo o cruzmaltino paraense, "apenas indica que Remo e Paysandu são uma coisa só, como os rios, que acabam sempre morrendo na praia".
O que possibilita a rivalidade paraense é a diversidade do azul (tem até um livro, da Jane Tutikian, que se chama "A cor do azul"), o que não ocorre com o grená, por exemplo, que é muitas vezes confundido com bordô e com o amaranto, a não ser por torcedores do Caxias e do Fluminense. O azul, por outro lado, só gera polêmica quando se aproxima indeciso do verde, como é comum em automóveis, paredes e camisas de seleções pentacampeãs. Em certos casos, bem que os diferentes azuis poderiam receber nomes diferentes, em vez de adjetivos do tipo "escuro", "claro", "turquesa", "bebê".
O Clube do Remo, atualmente, almeja a única vaga paraense na Série D. O Paysandu jogará a Série C.
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