17 de jun. de 2013

Da pentelhice


O Brasil é um país de pentelhos. Tem o pentelho que cai na sopa, o pentelho que vai frito com coxinha na rodoviária, o pentelho da gatinha que, brasileira que se preza, não se depila à brasileira, o pentelho que (ui!) entala na goela, e por aí etc.. 
Nessa Copa das Confederações, espécie de Torneio da Firma em que só jogam os eleitos do patrão, os pentelhos brasileiros não podiam deixar de abundar. Reclamam do trânsito, da chuva, do preço do ônibus, da falta de casa, da falta de educação, do estado da saúde e, claro, da mediocridade do futebol. Aquela coisa: manifestantes enchendo a agenda da polícia como pentelhos entupindo o ralo da autoridade. Deixa os home trabalhar, caçamba! Daqui a pouco vai ter protesto contra protesto, e aí quem é que vai fazer o papel do repressor? Só o que falta não ter repressor! Democracia sem demo? 
"Gente, assim ó: vamo fazer bonito", dizem os pentelhos perfumados, alisados, escondendo as próprias origens descabeladas, disfarçando os pentelhos dos ovos que eles quebram invariavelmente ao caminhar (sobre o povo, acusam uns, e então vem logo outro pentelho, cheio de chato, perguntar afinal o que é povo, e se isso não deveria ser escrito com letra maiúscula). Bá, e agora com essa internet... Qualquer um com "conta" no Livro da Cara sai pentelhando a torto e a torto, que pentelho direito é utopia. Choveu e alagou? Bota foto pra reclamar. Pastor pegou criancinha? Bota vídeo pra provar. Neymar caiu de novo? Bota placa dizendo "Eu já sabia". E dê-lhe torcer contra. O que era privilégio de anarco-bundões-niilistas, virou regra da pentelhice nacional. Importante é que dê algo errado, senão não temos do que reclamar. Que pentelho sobrevive sem uma boa comichãozinha?
Aí branco forasteiro (em carne viva ou alma morta) chega pedindo solução pra problema ainda nem criado. Quandé que é o jogo? Amanhã? Ah, tem tempo. Ondé que vai ser? Brasília? Ah, tá na mão. Contra quem mesmo? Japão? Oba! Pra cima deles, Denílson!

3 comentários:

  1. Nenhum comentário? Ops, acho que seu artigo não foi coerente, hein? Só acho...

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    1. Artigo? Bá, nem era pra tanto. É um texto incoerente prum momento incoerente. Ou talvez: um texto coerente com a incoerência do tempo. Um texto pentelho, na melhor das avaliações. Valeu por ler.

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  2. Preciso de munição
    ó deus, poderoso gangster

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