O Brasil (como instância psíquica) tá pra resolver (daquele
jeito autoajuda) o tal complexo de vira-latas. Ganhar o Mundial em casa, fazer a
Revolução do Futebol. Botar mais sombras sobre as sombras que o tormentam.
Dizer pra todo mundo, em todo o mundo, que a gente tem algo que fazemo melhor
que os outro.
Mas tem que dizer assim: fazemo melhor que os outro. Que é
pra aproveitar o hexa (prefixo grego que só serve pra nós) pra declarar a Independência
Universal da Língua Brasileira. Abaixo os s
redundante!
Só não fala pro Brasil que ele tem a oportunidade de
realizar esse fetiche. Já pensou se existe mesmo um gigante pra acordar?
Um gigante, em qualquer contexto, vai ser uma minoria. Tu
que é branco, cabelo escuro, hetero, sócio, helicóptero, amantes, talento e paz
de espírito entende o que eu tô escrevendo. Um gigante é um – tem no máximo um
irmão, meio lerdinho[1].
Nesse tempo que a gente vive, que é um espaço muito situado na fluidez, o lance
(e não o negócio, como prefeririam os lentos gigantes) é o tempo, com seus
mata-matas sensacionais.
Esse não vai ser o torneio da retranca. Tá todo mundo
desesperado. E se não tiver, vai perder por não tar.
Aí vai me dizer que o nosso lance não é a agilidade?, o mover-se
no tempo, pra além do espaço? A gente, se é, é pouco. Só nós falemo essa
linguinha, que vareia tanto entre torcedores do Ceará e do Caxias. E é isso aí.
Que o mundo se apresente, se quiser ouvir o que a gente tem pra dizer.
Não que a gente tem alguma coisa pra dizer. Mas a gente sabe
improvisar. De diblinha em diblinha a gente enche de gol os papo.
Então é o seguinte:
Se o Brasil (sempre como entidade espiritual) ganha essa
Copa, o tal complexo de vira-latas
vira complexo de
cachorrinho-de-apartamento. Aquele que, por ser o único da própria espécie
num espaço estreito, desenvolve linguagem própria e não toma conhecimento de
adversário nenhum. Quando ele recebe a visita de outro cachorro, ele logo
mostra que é o macho-alfa (ou a fêmea-ômega, sei lá).
E se o Brasil perde essa Copa, o tal complexo de vira-latas continua virando complexo de cachorrinho-de-apartamento. Aquele que, único,
desesperado, ao receber a visita de outro cachorro, não consegue se mostrar
macho, nem alfa, nem fêmea, nem ômega, e, quando vê, o intruso já tá mijando
sobre o mijo do dono da casa.
Se me permite a honra, gostaria de saber teu palpite pra estreia de hoje e pra esse mundial...
ResponderExcluirBrasil 2 x 0. Brasil campeão invicto.
Excluir