12 de jun. de 2014

Complexo de cachorrinho-de-apartamento

O Brasil (como instância psíquica) tá pra resolver (daquele jeito autoajuda) o tal complexo de vira-latas. Ganhar o Mundial em casa, fazer a Revolução do Futebol. Botar mais sombras sobre as sombras que o tormentam. Dizer pra todo mundo, em todo o mundo, que a gente tem algo que fazemo melhor que os outro.
Mas tem que dizer assim: fazemo melhor que os outro. Que é pra aproveitar o hexa (prefixo grego que só serve pra nós) pra declarar a Independência Universal da Língua Brasileira. Abaixo os s redundante!
Só não fala pro Brasil que ele tem a oportunidade de realizar esse fetiche. Já pensou se existe mesmo um gigante pra acordar?
Um gigante, em qualquer contexto, vai ser uma minoria. Tu que é branco, cabelo escuro, hetero, sócio, helicóptero, amantes, talento e paz de espírito entende o que eu tô escrevendo. Um gigante é um – tem no máximo um irmão, meio lerdinho[1]. Nesse tempo que a gente vive, que é um espaço muito situado na fluidez, o lance (e não o negócio, como prefeririam os lentos gigantes) é o tempo, com seus mata-matas sensacionais.
Esse não vai ser o torneio da retranca. Tá todo mundo desesperado. E se não tiver, vai perder por não tar.
Aí vai me dizer que o nosso lance não é a agilidade?, o mover-se no tempo, pra além do espaço? A gente, se é, é pouco. Só nós falemo essa linguinha, que vareia tanto entre torcedores do Ceará e do Caxias. E é isso aí. Que o mundo se apresente, se quiser ouvir o que a gente tem pra dizer.
Não que a gente tem alguma coisa pra dizer. Mas a gente sabe improvisar. De diblinha em diblinha a gente enche de gol os papo.
Então é o seguinte:
Se o Brasil (sempre como entidade espiritual) ganha essa Copa, o tal complexo de vira-latas vira complexo de cachorrinho-de-apartamento. Aquele que, por ser o único da própria espécie num espaço estreito, desenvolve linguagem própria e não toma conhecimento de adversário nenhum. Quando ele recebe a visita de outro cachorro, ele logo mostra que é o macho-alfa (ou a fêmea-ômega, sei lá).
E se o Brasil perde essa Copa, o tal complexo de vira-latas continua virando complexo de cachorrinho-de-apartamento. Aquele que, único, desesperado, ao receber a visita de outro cachorro, não consegue se mostrar macho, nem alfa, nem fêmea, nem ômega, e, quando vê, o intruso já tá mijando sobre o mijo do dono da casa.





[1] Assistam Game of Thrones.

2 comentários:

  1. Se me permite a honra, gostaria de saber teu palpite pra estreia de hoje e pra esse mundial...

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