23 de jul. de 2011

O fim do mundo

Depois de Kurt Cobain, Jim Morrison e Seu Cecílio, morador da lixeira número 32, arrecém instalada no Centro pela zeloza prefeitura de Porto Alegre ("fica o que é bom, tritura o que é ruim"), foi a vez de Amy Winehouse deixar a vida com vinte e sete anos. Uma pena para quem gostava dela, se é que havia alguém. Talvez uma mãe, um namoradinho, um produtor, um comerciante de ilícitos, vá lá o senhor alienado do mundo pop entender. 
O certo é que, em comparação com os demais mortos aos vinte e sete (principalmente Seu Cecílio, que, apesar de aparentar cinquenta - daí o título de "Seu" - era um ativo ex-lateral direito do Grêmio, que não conseguiu ser vendido a clubes ucranianos e decaiu-se à sarjeta, até que a prefeitura instalou essas lixeiras, no início deste inverno, convidando Seu Cecílio e demais sem teto e sem comida a dormir ali, para evitar hipodermia. Aí veio o caminhão, encaixou-se automaticamente na leixeira, despejou o lixo - pobre Cecílio - no compartimento triturador e kaput!), em comparação com Jimi Hendrix, Janis Joplin, dizíamos, Amy fica bem aquém. Conheço músicos com muito mais talento que passaram dos vinte e sete ilesos. Claro que, hoje, esses mencionados músicos estão mais para mendigos do que para astros pop, mas isso é outra história. E eu devia estar falando de futebol.
Agora estou ouvindo rádio para conhecer a tal da Amy (estão tocando só músicas dela, talvez porque saibam que a gente é mais generoso quanto à falta de graça alheia quando a alheia já está morta, e querem aproveitar o tsunami para lavar nossos sérebroz) e não estou gostando. Não consigo distinguir um instrumento do outro. Sabe aquilo que dá pra fazer sem dar com The Doors? E isso que The Doors nem é bom. É, Amy. Perdeu.

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