Porque aquilo que tu pensa que seja genial tu engole junto com o copo que tu bebe pra comemorar a ideia genial que tu teve.
Mas que bela língua, aquela portuguesa. Arrepende, arrependeste, arrependerás!
Pena que a gente fale um troço bem mais partido do cu.
Viram? É disso que me arrependerei amanhã.
Mas falemos da vida, que é do de que falam os que sabem falar. Falo. Não que
eu saiba falar. Eu sei escrever; é diferente.
O ponto e vírgula acima serve para comprovar que sei escrever. Não que eu
saiba. É só um modo de dizer.
Pois bem, ou mal, de futebol não tenho nada a dizer. Os escritores da ESPN
o fazem por mim, até porque ganham pra isso. Agora parece que tem uma Olimpíada
aí, e talvez o Brasil (seja isso onde for) ganhe, se não aparecer um Camarão ou uma Nigéria ou
qualquer seleção de futebol mais ou menos menos ansiosa do que a nossa. Não que
seja a minha. Faço de conta que escrevo para o país inteiro porque escrevo em
um blog. Futebol aos vivos... Ondé que já civil!
Falemos da vida, eu dizia, falemos dos italianos que não se sentem
europeus, ou não falemos deles justamente porque essa frase diz tudo: os
italianos de bom-senso (e o que é o bom-senso deixo para as pessoas de
bom-senso entenderem) os italianos de bom-senso não se sentem europeus. Assim como
os século-vintenses não se sentem caxienses porque têm o bom-senso de se
saberem século-vintenses, isto é, moradores do bairro Século Vinte (XX, para os cultos), mascadores de funcho e pegadores do ônibus
que os porta de uma em uma hora ao centro da cidade de Caxias. Do sul, naturalmente,
que do norte não sabemos um cazzo.
Tudo é uma questão de preconceito. E de beber da garrafa certa de um pessoa
sem hepatite C.
Mas não nos perdamos; ou sim, nos perdamos nessas ruas quaisqueres. Mas sempre
de noite, que é quando ninguém te exige nada (nem dinheiro, mas tamos falando da Italia, um país perto da Europa). Basta que tu
tenha a cara de pau de pedir o que quer que seja. E a coragem pra receber o
sólito não. Não nos deprimamos, companheiros. Quer mijar? O escuro é feito pra
isso mesmo, vai lá.
O importante é não perder o marido da foca, isto é, o foco. Isto é,
devíamos ter nascido no início do século passado, seja lá qual tenha sido. Isto
é, não devíamos ter nascido.
Mas se queremos falar de música, falemos desta. E, depois que tenham ouvido
essa última, ouçamos esta. Só pra sentir uma tristezinha básica nesse dia de grande alegria. Não nos desacostumemos da melancolia, pelamordedeus!
De tudo isso, só tenho a dizer o seguinte: por que os portugueses botaram
um "–ação" depois do cor natural latino?
Pra que complicar? Cor é sempre cor, não? Sim, tem umas mais claras do que outras, mas e
daí? Sabemos tudo de cor, não? Então pra que complicar?
Óbvio que, pra quem não entendeu, existem em português três tipos de cor: a
branca, a escura e aquela que diz respeito ao coração, que é a que importa.
Como me posso explicar? É nesse momento em que os bêbados se arrependem de ter
escrito. Mas enfim, uma cor é uma coisa e outra cor é outra coisa. Pergunte
para a pessoa inteligente mais próxima. Logo, evitem os professores catedráticos.
A minha hipótese é a seguinte: os portugueses, poetas como de sólito, e
também os espanhóis, se é que ainda se usa acento para denominá-los no plural,
não acreditavam no cor per se e acharam por mal (por bem é que
não) em meter uma ação depois. Por isso coração
e corazón. Os italianos, porque comem
pão e bebem vinho, e os franceses porque são intelectuais (alguma vantagem
deve ter nisso), mantiveram o latim e dizem ainda hoje cuore e coer, sem ação
nenhuma depois, porque o coração se basta nele mesmo, batendo e sentindo as
coisas que o coração sente.
Brega, porque é verdade. Os companheiros do Século Vinte entendem.
Nas outras línguas não sei. Diz a internet que coração em alemão é Hartz, o que explica muitas coisas sobre
a história germânica mas não tem nada a ver com o cor latino.
...
A noite se faz maior a cada segundo. Daqui a pouco olho pra janela e vejo o sol me encarando com aquela cara de gerente de padaria à beira-mar.
"Buon giorno, signor Pazzo, hai dormito bene?"
A ideia aqui era matar o tempo, indepentente do que fôssemos falar.
Tenho ainda um pouco de vinho, mas acho melhor guardar pra revisão do texto. Que é a parte mais divertida, na verdade, porque me serve como desculpa pra fumar mais
um cigarro.
É isso aí, e quando alguém escreve “é isso aí” é porque já não aguenta mais
enrolar o leitor. Não que eu não tenha dito nada. Não que eu não saiba como enrolar o leitor (sempre que exista) por mais algumas horas, mas acontece que há tempos já disse
tudo, e, enfim, acabou o texto.
Bah, cara, bêbado tu fica mais humorístico e trocadilhesco. Que afudê, tem que repetir. Eu acho que eu fico mais chorão e bunda mole, por isso não tento mais. Não, mas vou tentar te copiar um dia desses.
ResponderExcluir