22 de mai. de 2011

Correndo e fumando

Hoje fui comprar cigarro (não fume: chupe o dedo) do outro lado da rua e não fui quase atropelado. Em geral, pelo menos uma buzinada eu trago de volta pra casa, nessas investidas pelo mundo real, mas hoje não. Pensei: é domingo, os portoalegrenses foram pra praia. Mas não, era uma maratona, com milhares de não-fumantes, evento que mobilizou 550 mil agentes de trânsito para trancar ruas e salvar as vidas que mediocrizamos passando a tarde de domingo vendo o Botafogo e o Palmeiras começarem sua trajetória na direção do rebaixamento.
A tal maratona foi vencida pelo João Gari, torcedor do Cruzeiro, que perdeu para o Figueirense, e pela Antônia Bernadete, torcedora ou do Ceará, que perdeu para o Vasco ontem, ou do Fortaleza, que só jogará a Série C, ou do Ferroviário, coitada.
No más, destaque para o Jaime Maria da Rocha, que veio de Caxias (dá-lhe grená!) correndo para participar da maratona. Fez 140km em quinze horas. Depois, na hora da maratona, estava cansado e não participou. Ficou vendo um dos times dele, a matriz, perder em casa para o Corinthians de São Paulo. A filial está na Série D e só joga em agosto. Se ele correr, ainda consegue chegar no Amapá a tempo de ver o Trem enfrentando o Juventude.
Maratona é esse Brasileirão de estádios vazios e pangarés trotando com medo da bola. Haja fôlego pra aturar. O jeito é acender um cigarro e esperar pelos jogos decisivos. Depois logo chega o fim do ano, os grilos fazem cri-cri, Papai Noel volta às vitrines, João, Antônia e Jaime correm a São Silvestre e eu corro pro outro lado da rua pra comprar mais cigarro, se não tiver sido atropelado, ou virado maratonista antes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário