7 de jul. de 2011

Questões compléxicas

Ficou comprovado que o problema do Inter era o Renato Portalobos. Entretanto, há quem diga que o problema era o Julinho Café com Leite Arrecém Extraído da Vaca. Bastou ele largar tudo nas mãos do Paulo Roberto Ave de Rapina de Grande Capacidade Planatória para o colorado empilhar algumas vitórias seguidas.
Mas o que importa é essa montoeira de zero a zero na Copa América. Fenômeno estatílstico de primeira grandeza. É a vitória do medo (reverenciado como prudência, manifesto na retranca) sobre a emoção. Mais ou menos como deixar de trepar por medo de pegar aids. 
As gentes (não só os milhonários futeboleiros) têm medo de tudo, menos do ridículo. Gorro peruano com trancinha, por exêmpio, é dose pra lhama na tpm. Piada que todo mundo conta perde logo a graça. Não é só o problema da falta de personalidade (o que não era o caso do gorro do Chaves), quer dizer, o problema é justamente a falta de personalidade. Já disse Brian "The Dog" Griffin: "a merda que eu faço na calçada tem mais personalidade do que tudo que tem sido feito a pretexto de arte nos últimos anos". E futebol é arte. E muitas mulheres bonitas indicam que vestir-se também é. 
Os psicomísticos vêm dizendo que os tempos d'agora caracterizam-se por uma verdade exacerbada. Exemplos são fotos no Orkut, ou seja lá o nome que o troço tem agora. "Eu e minha namo em Huichipaco. Parlancheq qhichwa". Fodam-se (e eis a prova de que brasileiro só usa ênclise para coisas sérias), no melhor sentido da palavra. Assim falou Dom Casburro.
Os psicomagos sintetizam a dúvida geral em "O que que pensam os vizinhos?", no estilo Big Brother do termo. "Vamos dar uma espiadinha?", "Paz é guerra", "Use protetor solar", "Tenha consciência da verdade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas", etecéterra. O Segredo. Adquira já o seu.
E os leigos perguntam: "Qual é a verdade da era da verdade?"
Os psikondôs retrucam com "Pergunta errada, biiip, pergunta errada, biiip, superaquecimento, blip bop".
O fato é que há o fato, a realidade, e que o buraco da verdade é bem mais lá em baixo. Nem só de homens tronco subindo a ladeira às três da manhã se faz uma verdade - esse é o ponto. Há também o asfalto, e a distância-cromo de um parachoque para o supracitado homem tronco, sem mencionar os neuro-brilhos gerados pelos cérebros enfileirados na faculdade em frente e, claro, Dona Floriana que assiste a tudo mascando uma bomba de chimarrão, que ela prefere chamar de "mate", porque é da fronteira e não se deixou corromper pelo filho emo que toma ximas na Redenção. São muitos corações, amigo, vá o vivente ter paciência. No fim, Galvão Bueno nem é o pior.
E, num estarrecimento tácito, nos botamos a saber que tudo é verdade. Inclusive a sensação de que as palavras servem para compreendermos alguma coisa. Por exemplo, que o quechua (língua que falariam os gorros peruanos, se tivessem sido amaldiçoados como nós, peruanus sapiens), também conhecido como qhichwa, em runa simi, e culpe a Wikipedia pelas inúteis e provavelmente pouco precisas verdades, que a língua quechua, dizíamos, serviu de inpiração para o "hutês" ("barraquês", em brasileiro - não confundir com a língua falada pelas barraqueiras e barraqueiros, os quais também não devem ser confundidos com os moradores de barracos, que podem, ou não, ter o hábito de fazer barraco, no sentido de sair virando mesa e quebrando garrafa porque o corno olhou pra perua, ou peruana, ao lado, é preconceito seu achar que uma coisa vem da outra), o quechua inspirou o hutês, dizíamos, língua de um tal de Jabba, The Hut, a coisa feia nesta foto, personagem de Star Wars, que, confesso como falha em meu caráter, não tenho ideia do que seja. É um filme? Se for, eu juro que não vou baixar de graça na internet. 

2 comentários:

  1. Augusto (boto nome pra não pensarem que é o Pablo)8 de julho de 2011 às 12:57

    Muito compléxico. Até porque os emos, além de tomar ximas na redenção, se encontram na frente do zafari. Isso me parece difícil de entender. Serão pragmáticos? Se encontram ali porque ali compram o vinho? Isso eu acharia uma evolução da espécie. Eu ia até o mercado e voltava pra praça. Quando acabava, ia até o mercado e voltava pra praça. Que besteira. Ou sera um reflexo do consumismo? Ou se sentirão identificados com o esquilinho fofuxo? Por outro lado, legal saber que tem gente que também reconheceu nos motivos quechuas dos gorros o último grito da lhama. E, por fim, ouvi dizer que o Jabba era muito sexi para os de sua raça.

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  2. Não meu, o Jabba é o que está atrás dela. Ela era a Princesa Leia.

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